Política

Distrital do DF apresenta queda no interesse por política, aponta pesquisa da UnB

Em apuração ?

Apesar do desânimo geral, eleitorado do DF demonstra maior interesse pelas campanhas eleitorais

Eleitores do DF participando de campanha eleitoral em uma rua da capital
Imagem: G1

Pesquisa da Universidade de Brasília revela que moradores do Distrito Federal estão menos interessados em política, mas continuam atentos às campanhas eleitorais. O fenômeno é atribuído ao clima de polarização e ao cansaço com o conflito político.

Um levantamento realizado pelo grupo de pesquisa Observa DF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), revelou uma redução significativa no interesse dos eleitores do Distrito Federal por política. Segundo os dados divulgados nesta semana, apenas 36% dos moradores da capital federal se dizem muito ou interessados por política, enquanto 38% afirmam ter pouco interesse e 26% não se interessam nada. Esses números contrastam com a média nacional, que, de acordo com o Latin American Public Opinion Project (Lapop), indica que 53% dos eleitores brasileiros possuem algum ou muito interesse por política, o que demonstra uma diferença de 17 pontos percentuais em relação ao DF.

Curiosamente, apesar do desânimo geral, o interesse dos brasilienses pelo período eleitoral parece manter uma intensidade maior do que sua relação com a política de modo mais amplo. O levantamento aponta que 41% dos entrevistados demonstram algum ou muito interesse nas campanhas, um dado que revela uma preocupação maior com as eleições, mesmo diante do sentimento de frustração com o cenário político. Segundo o coordenador do estudo, o cientista político e professor da UnB, Lucio Rennó, essa diferença se dá por um sentimento de desânimo causado por uma polarização cada vez mais acentuada, que torna o debate político mais conflituoso e agressivo. "Isso de certa maneira afasta as pessoas do debate, porque fica muito baseado no desentendimento e na agressão", explica Rennó.

Um exemplo dessa percepção vem de jovens como Lucas Faria, de 22 anos, que relata que seu desinteresse começou ao perceber que não encontrava candidatos que representassem seus valores. Segundo ele, a repetição nas propostas e o agravamento da polarização dificultam a formação de uma opinião mais crítica, levando muitos a recorrerem ao voto útil, uma estratégia para votar em candidatos considerados mais favoráveis, mesmo que não sejam suas primeiras escolhas. Além disso, o estudo aponta que, embora o interesse nos assuntos políticos seja alto, a participação direta nas atividades de campanha, como comícios ou reuniões, vem diminuindo. O levantamento indica que apenas 33% dos eleitores acompanharam de perto as ações das campanhas, enquanto 41% continuam buscando informações pela televisão e internet, evidenciando uma mudança na maneira como o eleitor se relaciona com o processo eleitoral.

De acordo com Rennó, essa mudança é natural e reflete uma transformação no comportamento das pessoas em relação às campanhas políticas. "Hoje, o envolvimento mais frequente acontece via acesso às notícias e debates online e pelos meios de comunicação tradicionais, e não tanto por participação presencial em eventos", afirma. Mesmo em um cenário de desestímulo geral, a atenção às eleições revela um esforço dos eleitores de acompanhar o processo e tentar entender os candidatos, embora muitas vezes de forma passiva. Ainda não há confirmação de que essa tendência possa alterar significativamente o quadro político do DF ou do Brasil, pois o cenário de polarização continua forte, dificultando o diálogo e o engajamento amplo.

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O que sabemos?

  • Eleitores do DF têm 36% de interesse em política.
  • No Brasil, a média de interesse é 53%.
  • 41% do eleitorado do DF demonstra interesse pelas campanhas.
  • A participação direta em atividades de campanha está em 33%.
  • A polarização e o cansaço político afetam o engajamento democrático.

Fontes

  • G1 imprensa
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