Urna eletrônica completa 30 anos de transformação nas eleições brasileiras
Sistema inovador reduziu tempo de apuração e combateu fraudes desde os anos 90
Há três décadas, o Brasil implementa a urna eletrônica, uma revolução na forma de votar e contar votos. O dispositivo trouxe agilidade, segurança e inspiração para outros países.
Em 2026, comemora-se o terceiro aniversário da implementação oficial da urna eletrônica nas eleições brasileiras, uma mudança que marcou uma verdadeira revolução na democracia do país. Antes de sua adoção, os eleitores enfrentavam filas, recebiam cédulas de papel com os nomes dos candidatos, marcavam suas escolhas com caneta e esperavam dias até que a apuração final fosse divulgada, muitas vezes abrindo espaço para fraudes e erros humanos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), essa prática manual tinha fragilidades conhecidas desde décadas atrás, incluindo riscos como a fraude da "urna grávida", quando cédulas preenchidas eram colocadas na urna antes do início do voto.
O projeto de uma nova forma de votar surgiu em 1995, a partir de uma conversa entre o então presidente do TSE, ministro Carlos Velloso, e o técnico em informática Paulo Camarão, durante uma partida de tênis em Brasília. Essa conversa aparentemente simples deu origem à ideia de informatizar o processo eleitoral brasileiro, que logo foi reconhecida como uma das maiores inovações do país na área de tecnologia. A partir daí, um grupo de engenheiros e técnicos conhecidos como "ninjas" foi responsável por desenvolver o hardware e o software do que viria a se tornar a urna eletrônica brasileira.
Instituições de pesquisa e tecnologia de São José dos Campos, incluindo o Inpe e o ITA, participaram ativamente do projeto, desde a criação do sistema até os testes de segurança. A primeira versão do equipamento, batizada oficialmente de Coletor Eletrônico de Votos (CEV), foi utilizada parcialmente nas eleições municipais de 1996, com apenas 2 megabytes de memória. Foi preciso mais de um ano de ajustes até que, a partir das eleições municipais de 2000, o sistema fosse adotado de forma plena em todo o país, garantindo uma apuração muito mais rápida e confiável.
Hoje, a urna eletrônica brasileira é considerada uma referência mundial. Segundo o próprio TSE, o sistema conta com recursos avançados de segurança, como criptografia e assinaturas digitais, que dificultam fraudes e asseguram a integridade do processo democrático. A experiência brasileira com votação eletrônica ajudou ao menos 33 países a adotarem sistemas semelhantes, levando inovação a outros lugares no mundo.
Desde a sua estreia, a urna eletrônica passou por diversas melhorias tecnológicas, acompanhando o avanço da informática e da segurança digital. O hardware, que inicialmente tinha o tamanho de uma caixa de fósforos com 2 megabytes de memória, hoje é altamente sofisticado, reforçado por criptografia complexa e assinaturas digitais que protegem os votos. O Brasil, ao longo dessas três décadas, consolidou sua identificação com o sistema de votação eletrônica, que não só tornou o processo mais eficiente, mas também impulsionou uma maior confiança na democracia nacional.
O que sabemos?
- A urna eletrônica completa 30 anos em 2026.
- O sistema foi criado após uma conversa entre o presidente do TSE e um técnico em informática em 1995.
- Participaram do desenvolvimento engenheiros de unidades de pesquisa de São José dos Campos, incluindo o Inpe e o ITA.
- A primeira versão do equipamento foi usada em 1996 com 2 MB de memória.
- O sistema atualmente usa criptografia e assinaturas digitais para segurança.
Fontes
- Agência Brasil fonte oficial
- G1 imprensa



