Fiesp coordena abaixo-assinado para abordar crise inédita no STF
Entidade empresarial busca pressionar o Supremo Tribunal Federal a discutir o momento delicado do país
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) iniciou uma mobilização entre sindicatos e associações para solicitar que o plenário do STF discuta a crise institucional que enfrenta o Brasil, considerada sem precedentes.
Segundo uma fonte da própria Fiesp, a entidade começou a convocar sindicatos patronais e associações setoriais para um abaixo-assinado que aborda a crise institucional que o país vive atualmente. O documento, ainda em elaboração, afirma que a República enfrenta um teste de integridade inédito e que as turbulências em Brasília colocam em risco a estabilidade das instituições democráticas.
De acordo com o que foi divulgado, a iniciativa visa solicitar que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste e discuta abertamente esse momento crítico. Além da Fiesp, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também está empenhada na elaboração do manifesto, que já conta com mais de mil assinaturas de entidades comerciais e industriais, incluindo sindicatos e federações de setores como brinquedos e eletrônicos. Entre os signatários estão também representantes de setores do comércio, agronegócio, transporte e cooperativas.
Organizadores afirmam que a divulgação do documento está prevista para ocorrer entre os dias 8 e 10 de setembro, evitando o feriado de 7 de Setembro para não dar a impressão de que há uma tentativa de fazer uso político da crise num período eleitoral. Apesar da intenção de construir uma manifestação unitária, há sinais de receio por parte de alguns signatários quanto à polarização e à acusação de partidarização da iniciativa, especialmente após episódios envolvendo a própria Federação.
O contexto político é marcado por uma controvérsia envolvendo figuras e entidades de peso. Em 2022, a Fiesp enfrentou uma crise interna com tentativas de destituição do então presidente Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, acusado por opositores de ter ligações com o PT. O ex-presidente da federação, Paulo Skaf, que comandou a entidade de 2004 até 2021 e voltou ao cargo em 2026, tem se posicionado de forma mais abrangente, abordando temas além da indústria, como segurança pública e política internacional.
Nos últimos meses, a presença de nomes ligados ao governo Bolsonaro na direção da Fiesp também alimenta dúvidas sobre o alinhamento político da entidade. Além disso, em homenagem às manifestações anteriores, a organização do manifesto busca se posicionar como uma expressão da sociedade civil preocupada com o agravamento da crise, que se agravou recentemente com a divulgação de trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, além de manifestações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitando a anulação de relatórios da Polícia Federal, segundo informações coletadas pela Folha de S.Paulo.
O que sabemos?
- Fiesp está articulando um abaixo-assinado para pressionar o STF a discutir a crise institucional.
- O documento será divulgado entre os dias 8 e 10 de setembro.
- A iniciativa conta com o apoio de mais de mil assinaturas de entidades comerciais e industriais.
- A crise no Brasil tem gerado preocupações quanto à estabilidade das instituições democráticas.
- A divulgação foi estrategicamente planejada para evitar interpretações políticas no período de feriado de 7 de setembro.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



