Especialistas apontam que crise democrática atual poderia ter sido prevista
Cientista americana alerta para vulnerabilidades nas democracias ocidentais após anos de insatisfação popular
Sheri Berman, reconhecida cientista política, afirma que a deterioração das democracias ocidentais era previsível e alerta sobre fatores que agravaram a crise atual.
A cientista política americana Sheri Berman, de 60 anos, uma das referências mundiais no estudo da democracia, afirmou que a crise democrática que atravessam diversos países ocidental poderia ter sido prevista por especialistas há anos. Segundo ela, o aumento da insatisfação popular, aliada à deterioração das instituições democráticas, contribuiu para um cenário de instabilidade e fortalecimento de líderes populistas, radicais ou autoritários, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que prometem mudanças, mas nem sempre entregam resultados concretos.
Em entrevista por videoconferência à Folha, Berman explicou que sua análise está fundamentada em seu próximo livro, previsto para o próximo ano, no qual ela discute os fatores que fizeram o otimismo com a democracia se transformar em uma crise grave. Entre as razões apontadas por ela, está a complacência de estudiosos que, até há poucos anos, consideravam os Estados Unidos e países da Europa Ocidental como democracias altamente estáveis, pouco sujeitas a retrocessos.
Segundo a especialista, essa visão otimista foi influenciada por momentos históricos como a queda da União Soviética e a esperança de que a queda de regimes comunistas e autoritários estreitaria o caminho para a democratização. No entanto, ela destaca que a insatisfação crescente com as instituições democráticas, alimentada por fatores econômicos e sociais, deixou as populações mais receptivas a candidatos populistas que prometem soluções rápidas para problemas complexos. "Quando você contrata um encanador, ele deve ir até sua casa, diagnosticar o que está acontecendo e consertar o problema. Se os políticos não conseguem fazer essas coisas, não é nenhuma surpresa que as pessoas fiquem irritadas", afirmou Berman.
Ela ressaltou ainda que é necessário reconhecer que, para uma nova onda de democratização ocorrer, a oposição precisa convencer as pessoas de que há alternativas melhores aos líderes autoritários populistas. Ainda não há uma confirmação oficial de que esse cenário de instabilidade vá se consolidar, e o próprio clube político ainda não se pronunciou oficialmente sobre as análises feitas pela especialista. O que parece claro, segundo ela, é que os momentos atuais revelam vulnerabilidades que antes eram subestimadas por estudiosos e pela sociedade em geral.
A questão que se coloca, portanto, é até que ponto as instituições democráticas disponíveis na atualidade podem resistir ao aumento da insatisfação, que se manifesta também por preocupações compartilhadas em temas como imigração, economia e insegurança social. Ainda não há confirmação de que uma solução rápida esteja a caminho, mas o que fica evidente é que o debate sobre o enfraquecimento das democracias deve continuar, e que a previsão de especialistas como Sheri Berman poderia ter ajudado a evitar esse cenário de crise generalizada.
O que sabemos?
- Sheri Berman, cientista política americana, afirma que a crise democrática atual poderia ter sido prevista.
- Ela acredita que a insatisfação popular e a vulnerabilidade das instituições contribuíram para a crise.
- Berman prepara um livro para o próximo ano analisando os fatores dessa crise.
- Ela afirma que a complacência de estudiosos sobre a estabilidade das democracias foi um erro.
Fontes
- UOL Notícias imprensa





