Política

Chile não realiza ato oficial pelo 53º aniversário do golpe militar

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Pela primeira vez desde a redemocratização, país evita cerimônias para marcar a data

Praça vazia no Palácio de La Moneda na data do 53º aniversário do golpe no Chile
Imagem: Folha de S.Paulo

Em 11 de setembro, Chile completou 53 anos do golpe que derrubou Salvador Allende, mas sem atos oficiais ou homenagens públicas, uma mudança inédita desde 1990.

Nesta sexta-feira (11), o Chile marcou 53 anos do golpe militar que resultou na derrubada do presidente Salvador Allende sem realizar nenhuma cerimônia oficial ou ato institucional no país, algo totalmente inédito desde o retorno à democracia, em 1990. Ao longo dos últimos anos, essa data era lembrada por meio de manifestações, homenagens e cerimônias no Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, mas desta vez, o governo optou por evitar qualquer evento público, mantendo uma postura de silêncio e reflexão silenciosa.

Segundo informações da fonte oficial, o presidente José Antonio Kast, conhecido por sua posição de ultradireita e que já manifestou apoio à ditadura de Augusto Pinochet, manteve sua agenda habitual. Kast viajou para a região de Los Ríos, localizada no sul do Chile, enquanto o governo não promoveu nenhuma atividade comemorativa. Em declarações recentes, Kast afirmou que a história do país "não pode ser apagada", mas reforçou que o Chile precisa olhar para o futuro. Ele também declarou que há diferentes sensibilidades entre os chilenos sobre o ocorrido há 53 anos e que o país não deve ser condenado pelas divisões do passado, seguindo a linha de discurso adotada pela administração nos últimos dias.

Não foi organizada nenhuma homenagem formal, nem uma cerimônia no Palácio de La Moneda, tradicionalmente palco de eventos nesta data. Uma missa que tradicionalmente acontece na manhã de 11 de setembro, também no palácio, foi realizada, mas o subsecretário do Interior, Máximo Pavez, afirmou que essa atividade religiosa não foi tratada pelo Executivo como uma homenagem às vítimas. Segundo Pavez, tratou-se de uma atividade religiosa que ocorre habitualmente no local, sem conotação de ato político ou de memória oficial.

Segundo fontes da reportagem, essa mudança na postura do governo gera debates na sociedade chilena sobre o significado de lembrar ou não dos eventos históricos que marcaram o país. Ainda não há confirmação se essa nova abordagem representa uma mudança duradoura na forma de lidar com a memória do golpe, ou se é uma decisão pontual. O fato é que, pela primeira vez em mais de três décadas, o governo do Chile optou por não realizar qualquer ato formal nesta data, um sinal de transformação na maneira de lidar com uma ferida histórica que ainda reverbera no país.

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O que sabemos?

  • O Chile completou 53 anos do golpe militar em 11 de setembro.
  • Não houve ato oficial ou cerimônia institucional para marcar a data.
  • O presidente José Antonio Kast manteve sua agenda habitual e viajou ao sul do país.
  • Uma missa religiosa ocorreu no Palácio de La Moneda, mas não foi considerada homenagem oficial.
  • O governo justificou a ausência de cerimônias como uma atitude de olhar para o futuro, sem esquecer do passado.

Fontes

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