Pesquisa mostra que avaliação de Lula durante a campanha não apresentou melhora
Correlações entre ações políticas e percepção pública permanecem delicadas na reta final do primeiro turno
Segundo dados divulgados pelo Datafolha, o presidente Lula mantém uma avaliação estável durante a campanha, com poucos avanços na opinião pública, diferentemente de seus antecessores em reeleições.
De acordo com uma pesquisa recente divulgada pelo Datafolha na quinta-feira (24), a avaliação do presidente Lula, candidato à reeleição, permanece praticamente estável desde o início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto. Com 34% de avaliação positiva (considerada como ótimo ou bom) e 40% negativa (ruim ou péssimo), o cenário contrasta com a tendência observada em outros presidentes que buscaram reeleição. Segundo a fonte, na disputa passada, nomes como Fernando Henrique Cardoso, Lula em 2006 e Dilma Rousseff notaram aumento na aprovação durante suas campanhas, enquanto Jair Bolsonaro, em 2022, chegou ao primeiro turno com avaliação negativa semelhante à inicial, mas melhorou após medidas de apoio social e redução de preços.
O analista político Felipe Nunes, da Quaest, destacou que a dificuldade de Lula em melhorar sua avaliação é o que ele chamou de 'principal calcanhar de Aquiles' do momento. Segundo Nunes, há um efeito natural durante a campanha, onde o candidato tem mais oportunidades de mostrar realizações e contrastar com adversários, mas também há exposição de problemas que podem reduzir essa avaliação. Ainda de acordo com a análise, a história mostra que governos geralmente têm uma melhora na opinião pública, mas essa melhora depende de uma comunicação que dialogue com o sentimento do eleitor. Lula, especificamente, precisa convencer aqueles que já o avaliam, mas ainda não percebem melhorias diretas na sua vida, a apoia-lo com mais entusiasmo.
Além da avaliação do governo, outro fato recente destacado pela fonte é a assinatura de uma medida provisória por Lula, na sexta-feira (25), que proíbe apostas online e jogos eletrônicos como 'Tigrinho'. Essa decisão foi tomada já na reta final da campanha, pouco antes do primeiro turno, enquanto que no dia 18, o governo anunciou um reajuste do Bolsa Família. Essas ações, segundo a fonte, ainda não tiveram impacto claro na percepção dos eleitores, e a campanha continua sendo bastante desafiadora para Lula, que busca se recuperar na preferência do eleitorado.
Vários aspectos lembram o passado eleitoral de presidentes que também enfrentaram dificuldades na alta de sua popularidade em períodos de campanha, levando em conta a redução do período eleitoral a partir de mudanças legislativas. Com menos tempo de campanha oficial, Lula e seus concorrentes precisam trabalhar de forma mais intensiva para tentar mudar o cenário, que ainda não demonstra sinais claros de evolução na preferência pública. Segundo o levantamento, a opinião dos eleitores trata-se de uma variável complexa e que será decisiva para o resultado final das eleições.
O que sabemos?
- Pesquisa Datafolha divulgada em 24 de agosto mostra avaliação de Lula com 34% positiva e 40% negativa.
- Desde o início da campanha em 16 de agosto, Lula não conseguiu melhorar sua avaliação de governo.
- Outros presidentes em campanhas passadas tiveram crescimento na avaliação durante a campanha eleitoral.
- Depois de 2016, o período de campanha foi reduzido de 90 para 45 dias, afetando a análise comparativa.
- Na avaliação mais recente, Lula mantém uma avaliação semelhante à de início da campanha, sem grandes oscilações.
Fontes
- G1 imprensa





