Vítimas escapam de tráfico humano, mas enfrentam nova batalha para voltar para casa
Após fugir de complexos usados para golpes eletrônicos no Camboja, vítimas relatam dificuldade para conseguir passagens e abrigo
Bambang, indonésio de 35 anos, e outros homens que escaparam de traficantes em Poipet esperam ajuda consular em Phnom Penh para voltar ao país, mas enfrentam preços elevados e falta de suporte.
Escapar das garras de traficantes de pessoas não significa, para muitas vítimas, o fim dos desafios. É o caso de Bambang (nome fictício), de 35 anos, que aguardava a abertura da Embaixada da Indonésia em Phnom Penh, capital do Camboja, para conseguir ajuda e recuperar um passaporte retido por criminosos que o mantiveram em cativeiro.
Segundo relatos, Bambang, pai de duas crianças, foi levado ao Camboja enganado pela promessa de trabalho na área de telemarketing com altos ganhos. No entanto, ao chegar ao país, foi forçado a aplicar golpes eletrônicos contra pessoas de seu próprio país e, quando não atingia as metas impostas pelos criminosos, sofria agressões físicas, como socos e tapas. O local onde estava retido fica em Poipet, a cerca de 400 km de Phnom Penh, e é conhecido como um "complexo", palavra utilizada para designar esses centros de golpes online.
Além de Bambang, outros quatro homens indonésios também aguardavam assistência consular na capital, relatando que sofreram castigos severos, como choques elétricos e privação de comida por até um mês. A privação de necessidades básicas não terminava com a fuga dos traficantes. Mesmo livres, as vítimas enfrentam barreiras para garantir alimentação, abrigo e o retorno para suas casas.
"Quero voltar o quanto antes. Já pedi para a minha família ajudar com o dinheiro da passagem, mas o preço é muito alto", declarou Bambang, destacando a dificuldade financeira para bancar a viagem de volta. Esse cenário, embora crônico entre traficados de várias nacionalidades, também afeta brasileiros, que muitas vezes ficam em um impasse entre a burocracia governamental e a oferta limitada de organizações sociais.
Segundo a reportagem do UOL Notícias, esse ciclo de vulnerabilidade evidencia que, para as vítimas do tráfico humano, escapar de situações cruéis não resolve, por si só, o problema do repatriamento e das condições mínimas para recomeçar. A demanda por suporte humanitário e consular é, assim, uma etapa essencial mas ainda distante para muitos desses sobreviventes.
O que sabemos?
- Bambang, de 35 anos, foi vítima de tráfico humano no Camboja e mantido em cativeiro em Poipet.
- Ele e outros quatro homens indonésios sofreram agressões como choques elétricos, socos e privação de comida.
- O passaporte de Bambang foi retido pelos criminosos, e ele busca atendimento na Embaixada da Indonésia em Phnom Penh.
- A dificuldade para obter passagem aérea e apoio consular é comum entre vítimas de tráfico, inclusive brasileiras.
O que ainda não foi confirmado?
- Informações divulgadas apenas por UOL Notícias ainda aguardam confirmação por outras fontes.
Fontes
- UOL Notícias imprensa


