Policial

Mercado clandestino oferece acesso a sistemas públicos com manipulação de dados e mandados

Em apuração ?

Criminosos negociam logins e senhas para alterar processos judiciais, apagar multas e retirar mandados de prisão

Ilustração de cadeado digital aberto representando invasão de sistemas públicos
Imagem: G1

Um mercado digital ilegal tem vendido credenciais para acessar sistemas da Justiça, Detrans e secretarias públicas, permitindo adulterações graves em processos e documentos oficiais.

Um mercado clandestino na internet tem operado oferecendo acessos ilegais a sistemas públicos e privados, permitindo manipulações que comprometem a segurança e a integridade de dados oficiais. Segundo a repórter Mônica Marques, que acompanhou durante um mês negociações em grupos de conversa e fóruns, criminosos têm vendido logins, senhas e até painéis completos com informações sensíveis de servidores e autoridades.

Os criminosos comercializam credenciais de pessoas que, devido às funções que exercem, têm acesso a redes protegidas, incluindo setores da Justiça e órgãos de segurança pública. A oferta abrange desde consultas a dados do Imposto de Renda, informações sobre saúde, vacinação, até o acesso a sistemas vindos de órgãos como a Secretaria de Segurança do Paraná, onde um login foi oferecido por pouco mais de R$ 100.

Em uma das conversas, um criminoso chegou a oferecer dados detalhados de veículos — como nome, número do chassi, motor e fotos — além de informações de condutores, por R$ 110. Já para obter acesso a sistemas da Justiça, os preços eram naturalmente mais altos: um login da Justiça de Santa Catarina era anunciado por R$ 500, enquanto um serviço que permitia alterar informações processuais e até retirar mandados de prisão custava R$ 1 mil.

Também na mira estão os órgãos de trânsito, como os Detrans, onde a manipulação inclui apagar multas de veículos ou transferir infrações para o nome de outras pessoas. Em uma negociação acompanhada, um criminoso afirmou que poderia retirar uma multa cobrando apenas metade do valor tradicional cobrado em serviços ilegais, indicando uma concorrência feroz nesse mercado paralelo.

Essas operações digitais expõem uma vulnerabilidade preocupante nos sistemas públicos, já que possibilitam adulterações que podem afetar a fiscalização, investigações e o cumprimento da lei. O acesso ilegal proporciona aos criminosos meios para alterar a Justiça e órgãos de segurança, potencialmente prejudicando processos judiciais e processos administrativos importantes.

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O que sabemos?

  • Mercado clandestino vende acessos a sistemas públicos e privados.
  • Criminosos oferecem serviços para apagar multas e alterar processos judiciais.
  • Preços variam de R$ 100 até R$ 1 mil, conforme o sistema acessado.
  • Investigações foram realizadas pela repórter Mônica Marques por um mês.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação foi divulgada apenas pelo G1 até o momento; aguardam-se outras fontes.

Fontes

  • G1 imprensa
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