História do último homem condenado à forca no Brasil ainda desperta interesse após mais de 150 anos
Caso de 1861 em Goiás revela detalhes de uma execução marcada pelo crime, amor proibido e mudanças na pena de morte
José Pereira de Souza foi o último homem livre condenado à forca no Brasil, numa história de crime, paixão e punições do século XIX, que ainda gera dúvidas entre pesquisadores.
A antiga província de Santa Luzia, atual Luziânia, guarda uma história pouco conhecida pelo público, mas que marcou a trajetória do sistema penal brasileiro. Segundo registros históricos reunidos pelo G1, José Pereira de Souza, um homem de 40 anos, foi a última pessoa condenada à forca no Brasil enquanto ainda era considerado livre, na década de 1860. A história envolve um crime brutal, um relacionamento amoroso proibido e uma execução pública que até hoje suscitam curiosidade e estudo entre historiadores.
De acordo com relatos históricos, José Pereira de Souza mantinha um relacionamento amoroso com Maria Nicácia, esposa do barão Eufrasio Monteiro. O episódio fatal ocorreu após uma visita de Eufrasio à sua residência, quando Maria pediu ao marido que limpasse arroz para o jantar. Enquanto Eufrasio se ocupava na cozinha, José atirou nele na região do tórax com uma espingarda, matando o barão. A ação resultou na prisão de José e de Maria Nicácia, que, segundo relatos do historiador Gelmires Reis, teria sido cúmplice no crime.
O julgamento de José Pereira de Souza começou em 29 de agosto de 1857 na cidade de Goiás, antiga capital do estado. Após um mês de processos, em 29 de setembro do mesmo ano, ele foi condenado à pena máxima da época: a forca, pelos homicídios agravados. Maria Nicácia, por sua vez, foi sentenciada à prisão perpétua, que na época envolvia trabalhos forçados. Segundo registros, o julgamento seguiu todas as formalidades previstas na Constituição do Império, incluindo várias tentativas de recurso por parte de José, até o cumprimento final da sentença.
Em 30 de outubro de 1861, José foi levado ao local da execução. Antes de sua morte, deixou a prisão e percorreu ruas, becos e até entrou na Igreja do Rosário, que estava aberta para recebê-lo. O trajeto final foi até um pasto de uma chácara em Santa Luzia, onde a forca foi montada. A execução foi pública e acompanhada por moradores locais, que assistiram ao que ficou registrado como a última condenação de um homem livre à pena de morte no Brasil. Depois do ato, a figura de José Pereira de Souza passou a fazer parte da história penal brasileira, embora os detalhes sobre seu julgamento e execução tenham sido parcialmente apagados com o tempo, inclusive com processos queimados por um delegado posteriormente.
Para além do caso de José, há registros históricos que indicam que a prática da morte pela forca continuou no Brasil até 1876, mas apenas para escravos. O último condenado conhecido por enforcamento foi um homem apelidado de Francisco, executado em Pilar, Alagoas, em 28 de abril de 1876. As informações fornecidas pelo G1, ainda não oficializadas por outras fontes, revelam um capítulo sombrio da história do sistema penal brasileiro, que passou por transformações ao longo do tempo, especialmente com o fim da escravidão e a abolição da pena de morte para cidadãos livres.
O que sabemos?
- José Pereira de Souza foi condenado à forca em 1861 na antiga província de Santa Luzia.
- Ele matou o marido de Maria Nicácia, o barão Eufrasio Monteiro, com uma espingarda.
- O julgamento começou em 29 de agosto de 1857 e terminou em 29 de setembro do mesmo ano.
- A execução ocorreu em 30 de outubro de 1861, em Luziânia, com uma caminhada pública até a forca.
- Maria Nicácia foi condenada à prisão perpétua; José caminhou pelas ruas antes da execução.
Fontes
- G1 imprensa




