Policial

Tenente-coronel da PM é preso por esquema de segurança ligado a empresa investigada por lavagem de dinheiro do PCC

Informações checadas ?

José Henrique Martins Flores é acusado de usar recursos e treinamento da polícia para proteger diretores da Transwolff

Tenente-coronel José Henrique Martins Flores detido pela polícia
Imagem: G1

O tenente-coronel José Henrique Martins Flores foi detido após ordem da Justiça Militar, acusado de integrar organização criminosa que prestava serviços de segurança para a Transwolff, empresa de ônibus suspeita de ligação com o PCC.

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, José Henrique Martins Flores, foi preso no último sábado (29) sob suspeita de integrar uma organização criminosa que atuava prestando segurança privada para diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão preventiva do oficial foi decretada na sexta-feira (28) pela Justiça Militar Estadual e ele se entregou espontaneamente às autoridades, sendo encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes pela Corregedoria da PM.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) em 26 de agosto, o tenente-coronel José Henrique Flores, que atuava no Comando de Policiamento de Área Metropolitano-7 (CPA-M7) — responsável pelo patrulhamento da região de Guarulhos — seria o único dos quatro policiais militares denunciados por integrar o esquema que ainda estava solto. O MPSP detalha que o grupo utilizava o treinamento e os armamentos oficiais da Polícia Militar, incluindo agentes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), para proporcionar proteção pessoal, escolta armada e monitoramento de garagens dos executivos da Transwolff.

O esquema, conforme a acusação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Promotoria de Justiça Militar, ia além da simples segurança; o grupo oferecia uma espécie de "blindagem institucional e reputacional" à empresa. Flores era responsável por administrar empresas de segurança em nome de parentes, usados como “laranjas”, e emitia notas fiscais falsas para dar aparência legal aos pagamentos. O capitão Alexandre Paulino Vieira atuava como coordenador operacional, recrutando agentes e negociando com os diretores da Transwolff. Já os sargentos Cezário e Nereu executavam as escoltas armadas e vigilância, sendo que Nereu também auxiliava na logística financeira do esquema.

Durante as investigações, a polícia encontrou na casa do sargento Nereu uma mala com R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo. A Transwolff é ligada aos dirigentes Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como “Pandora”, e Cícero de Oliveira, o “Té”, que também eram protegidos pelo grupo. O tenente-coronel foi ouvido em audiência de custódia no mesmo dia da prisão. Até o momento, a TV Globo não conseguiu contato com o advogado de Flores, e o clube militar não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Este episódio destaca a complexidade das investigações que envolvem grupos criminosos e a penetração destes em instituições públicas como a Polícia Militar, além da importância de coibir a utilização indevida de recursos públicos para atividades ilícitas. O desdobramento desse esquema ainda está sendo acompanhado pelo Ministério Público e pela Justiça Militar, que buscam maior clareza sobre o alcance da organização criminosa.

Publicidade

O que sabemos?

  • Tenente-coronel José Henrique Martins Flores foi preso em 29 de agosto por integrar organização criminosa.
  • Flores gerenciava empresas de segurança em nome de parentes e usava recursos da Polícia Militar para proteger diretores da Transwolff.
  • A Transwolff é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro do PCC.
  • Na casa de um dos envolvidos, a polícia apreendeu R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo.

Fontes

Publicidade