Relatório da Polícia Civil revela esquema envolvendo PMs, bicheiro e financiamento a homicídios
Conexões financeiras entre policiais e organização ligada a Adilsinho são detalhadas em investigação sobre assassinato no Rio
Um relatório da Polícia Civil aponta ligação financeira entre o PM Denilson de Araújo Sardinha, investigado por homicídio e extorsão, e o policial Maxwell Ferreira da Silva, que atua a serviço da família do bicheiro Adilsinho. A Fictor Holding é apontada como financiadora de crimes atribuídos à quadrilha.
Um relatório da Polícia Civil trouxe à tona uma complexa teia que envolve policiais militares, um bicheiro conhecido e o financiamento de homicídios no Rio de Janeiro. Segundo o documento obtido pelo g1, o 2º Sargento da Polícia Militar Denilson de Araújo Sardinha recebeu cerca de R$ 111 mil da empresa Fictor Holding em um intervalo inferior a um mês, recursos esses que teriam sido parcialmente repassados para o também policial Maxwell Ferreira da Silva, que, segundo a investigação, age como segurança e emissário da família do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Denilson é investigado e responde por pelo menos dois processos judiciais relacionados a homicídios e teve o porte de arma suspenso, atualmente atuando apenas em funções administrativas na corporação. Já Maxwell é apontado pela Polícia Civil como um dos integrantes ligados diretamente à rede criminal organizada em torno de Adilsinho, considerado um dos principais operadores do jogo do bicho na região.
O relatório reforça que a Fictor Holding serviu como um “motor financeiro” para custear assassinatos praticados por homens ligados ao bicheiro. O repasse realizado a Denilson de R$ 111 mil teria sido utilizado, de acordo com as apurações, para viabilizar essa estrutura criminosa, e parte desse valor – cerca de R$ 1.300 – foi enviada a Maxwell. Segundo a investigação, a conta bancária do PM Denilson funcionava como uma espécie de "conta de passagem" para movimentações ilícitas dentro desse esquema.
O caso ganhou nova dimensão com a prisão, na última segunda-feira (28), de um policial militar suspeito pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo. As investigações apontam que a ex-mulher da vítima, Francisca Machado, teria quitado o aluguel do veículo usado para vigiar as vítimas, o que indica uma complexa articulação nas ações criminosas. Procuradas, tanto a Fictor Holding quanto a família de Adilsinho negam envolvimento em lavagem de dinheiro ou qualquer crime relacionado.
Até o momento, as informações foram divulgadas principalmente pelo g1 e aguardam confirmação por outras fontes oficiais. A Polícia Civil segue com apurações para esclarecer o papel de cada integrante na rede que envolve policiais e criminosos vinculados ao jogo do bicho e homicídios no estado do Rio de Janeiro.
O que sabemos?
- O PM Denilson de Araújo Sardinha recebeu R$ 111 mil da Fictor Holding em menos de um mês.
- Denilson repassou R$ 1.300 para o policial Maxwell Ferreira da Silva, ligado ao bicheiro Adilsinho.
- Denilson responde a processos por homicídio e teve o porte de arma suspenso, atuando atualmente em serviços administrativos.
- A Fictor Holding é apontada como financiadora de homicídios ligados à quadrilha de Adilsinho, que tanto ela quanto Adilsinho negam envolvimento em crimes.
Fontes
- G1 imprensa
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