Rede de propaganda pró-Rússia usa violência sexual como arma de desinformação contra mulheres do Exército ucraniano
Campanha digital busca desestabilizar e manipular a opinião pública por meio de conteúdo enganoso envolvendo militares femininas
Uma extensa rede de propaganda pró-Rússia tem explorado temas de violência sexual e utilizado mulheres do Exército ucraniano como iscas em mensagens no Telegram, causando impacto emocional e desinformação.
Segundo uma reportagem da BBC News Brasil, uma rede de propaganda pró-Rússia estaria utilizando táticas de divulgação enganosa para manipular a percepção pública da guerra na Ucrânia. Um dos casos mais emblemáticos envolve a médica georgiana Keti Leshkasheli, que serviu nas Forças Armadas ucranianas e que, há cerca de três anos, depois de retornar da linha de frente, passou a receber diversas mensagens e confirmações de amigos e familiares, preocupados com notícias falsas. Essas publicações alegavam que ela havia sido capturada e estuprada, além de linkarem para canais no Telegram exibindo imagens supostamente dela sendo punida, o que ela confirmou reconhecer como uma foto antiga, tirada em Avdiivka, cidade que atualmente está sob ocupação russa. Leshkasheli afirmou à BBC que se sentia revoltada e frustrada, pois tudo não passava de manipulação.
De acordo com o relato, essa rede de desinformação tem como objetivo explorar a violência sexual e usar mulheres do Exército ucraniano como iscas em canais do Telegram, uma plataforma de mensagens instantâneas bastante popular. Ainda não há confirmação oficial sobre a origem dessa campanha, nem detalhes sobre quem estaria por trás dessas ações, que parecem estar focadas em disseminar medo, raiva e confusão entre os apoiadores da Ucrânia e o público em geral.
Essa ação de desinformação se destacou por sua estratégia de manipular emoções por meio de imagens antigas e histórias de violência, além de apresentar um conteúdo perturbador. Segundo a reportagem, a própria Leshkasheli, que é médica e serviu nas Forças Armadas da Ucrânia, sente-se impotente frente à difusão de tais imagens e ao impacto que esse tipo de campanha tem na autoestima e segurança das mulheres envolvidas na guerra. Ainda não foi confirmado oficialmente se há uma organização específica atrás dessas ações, embora o fato de utilizarem canais no Telegram diga que a plataforma é um vetor importante dessa rede de manipulação.
Esses fatos evidenciam as dificuldades de combater a desinformação em ambientes digitais, especialmente quando se usam histórias reais para desinformar, explorando vulnerabilidades emocionais e a luta de militares no conflito. A situação ainda está sendo investigada pelas autoridades, e o próprio clube ou instituição envolvida na origem das mensagens não se pronunciou oficialmente até o momento. Enquanto isso, a sociedade e os órgãos de segurança seguem atentos a esses movimentos de manipulação, que representam uma ameaça à integridade moral e emocional de quem serve ou apoiou o elenco militar na Ucrânia.
O que sabemos?
- Uma rede de propaganda pró-Rússia usa Telegram para divulgar falsas acusações de violência sexual contra mulheres do Exército ucraniano.
- Keti Leshkasheli, médica da Geórgia que serviu na Ucrânia, reconheceu uma imagem antiga que mostrava ela sendo acusada de ser capturada e estuprada.
- Mensagens falsas fazem links e exibem imagens antigas, explorando emoções e desinformando a população.
- Ainda não há confirmação oficial da origem ou autores dessa campanha de desinformação.
- A plataforma Telegram tem sido usada como principal canal dessa operação de manipulação.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




