Peru declara estado de emergência em cinco presídios para reforçar segurança
Medida busca conter atividades criminosas e fugas em estabelecimentos penitenciários
O governo peruano anunciou a suspensão temporária de alguns direitos civis para fortalecer o controle nas prisões e evitar ações ilícitas, motins e fugas nos principais penitenciários do país.
Segundo fontes da Presidência do Peru, cinco unidades prisionais passaram a ser submetidas a um estado de emergência por um período de 60 dias, uma medida que visa ampliar o controle e a segurança nesses locais. A decisão, divulgada no sábado (5/9), faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para fortalecer a segurança cidadã em uma crise que, segundo dados oficiais, revela um sistema penitenciário em colapso.
De acordo com o decreto divulgado na ocasião, durante esse período, a polícia e as Forças Armadas terão autorização para realizar “operações permanentes” em um raio de até 200 metros ao redor dessas penitenciárias, além de operações de inteligência que visam impedir a entrada de armas, celulares (cartões SIM e telefones) e outros objetos que possam facilitar atividades ilícitas. Além disso, a medida suspende temporariamente direitos como a liberdade de circulação, reunião, além da segurança e liberdade pessoais dos indivíduos que ingressem ou transitem na área ao redor dos presídios.
Entre as unidades afetadas estão os presídios de Challapalca, localizado no Departamento de Tacna, e os de Cochamarca, em Pasco. Em Lima, os presídios de Trujillo Varones, Miguel Castro Castro e Ancón I também estão na lista. Segundo fontes, cerca de 50% dos detentos desses últimos dois locais são considerados líderes de organizações criminosas, envolvidos em atividades que vão desde extorsões até tráfico de drogas e homicídios sob encomenda, exercidos muitas vezes por meio de equipamentos de comunicação não autorizados.
Segundo o ministro da Justiça, Ernesto Álvarez, a medida busca criar um “cerco perimetral” que permita o controle mais efetivo, evitando fugas e a atuação de quadrilhas fora das prisões. "O primeiro objetivo é criar um controle mais efetivo, com participação do pessoal do Instituto Nacional Penitenciário, da polícia e das Forças Armadas," afirmou o ministro à emissora Canal N. Ainda não há confirmação oficial, contudo, sobre o impacto total dessas ações ou se há planos de militarizar o sistema penitenciário peruano, já que o governo garantiu que as medidas estão em conformidade com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
Apesar do esforço, a situação do sistema penitenciário peruano é considerada crítica. Segundo fontes, o país sofre com uma superlotação de 156% e uma carência de cerca de 45% de efetivo de pessoal, fatores que contribuem para a persistência de motins, brigas frequentes e diversas tentativas de fuga. A criminalidade e a violência dentro e fora das penais têm sido uma preocupação crescente para a sociedade peruana, intensificando a busca por medidas que consigam garantir a segurança de todos.
O que sabemos?
- Cinco presídios no Peru estão sob estado de emergência por 60 dias.
- Medida busca impedir entrada de armas, celulares e outros objetos ilícitos.
- Direitos civis, como liberdade de circulação e reunião, serão suspensos na área ao redor dos presídios.
- As unidades afetadas incluem presídios em Tacna, Pasco, Trujillo e Lima.
- Cerca de 50% dos detentos nesses presídios são líderes criminosos envolvidos em atividades ilícitas.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





