Advogado Nelson Wilians nega fraude bilionária e aponta ex-parceiro em investigação do ICMS
Escritório de Wilians entrega documentos ao MP e se distancia do esquema suspeito de fraude de R$ 3,8 bilhões
Nelson Wilians apresentou provas ao Ministério Público negando envolvimento em esquema que teria causado prejuízo de bilhões aos cofres públicos, atribuindo responsabilidade ao antigo parceiro. A operação policial investiga crimes relacionados à venda de créditos de ICMS considerados fraudulentos.
O advogado Nelson Wilians, conhecido por seus escritórios de advocacia, foi alvo de uma investigação envolvendo uma suposta fraude bilionária no contexto do ICMS, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Segundo informações de uma fonte ligada às investigações, Wilians entregou documentos ao Ministério Público no dia 21 de agosto, três dias após prestar depoimento ao Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira), que reúne órgãos como o MP, a Procuradoria-Geral do Estado e a Secretaria da Fazenda. Ele nega qualquer participação em uma manobra que teria causado prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões às finanças públicas.
De acordo com a mesma fonte, o esquema investigado envolve a venda de créditos de ICMS, prática legal desde que realizada conforme as regras estabelecidas pela Secretaria da Fazenda. No entanto, a suspeita é de que créditos falsificados tenham sido negociados sem respaldo legal, com o objetivo de diminuir indevidamente o pagamento de impostos por parte de diversas empresas. Em junho, Wilians e seu escritório foram alvo da Operação Distrato, que cumpriu mandados de busca e apreensão, incluindo computadores e documentos. Wilians, que tem participações na Nelson Wilians Advogados (NWADV) e na Nelson Wilians Negócios e Investimentos (NWNI), agora renomeada como NWGroup, também se afastou das atividades enquanto aguarda o desfecho do caso.
Segundo informações exclusivas do G1 e da GloboNews, a investigação aponta que a parceria entre o escritório de Wilians e o escritório De Paula, de Londrina, Paraná, começou em 2023 para facilitar a venda de créditos de ICMS. O acordo, que foi rompido em novembro de 2024 por alegada falta de transparência, indicava que o escritório de Wilians indicava clientes ao parceiro paranaense, que se responsabilizava pela execução dos serviços relacionados à venda de créditos considerados fraudulentos. Documentos acessados pela reportagem revelam contratos, atas, e-mails e registros de compliance que detalham essa união. Ainda segundo as informações, o próprio escritório De Paula sustentava a legalidade das operações, responsabilizando-se pela condução técnica dos créditos, mesmo após a separação entre as partes. A defesa de Wilians afirma que o escritório dele cuidava da parte jurídica e da prospecção de clientes, enquanto o escritório paranaense executava as operações.
As autoridades ainda não confirmaram oficialmente o envolvimento de Wilians em crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa ou estelionato, embora essas linhas de investigação estejam em andamento. Ressalta-se que ainda não houve indiciamento, denúncia formal ou condenação até o momento. O complexo esquema de venda de créditos de ICMS considerados fraudulentos envolveu pelo menos 752 empresas, causando sérios prejuízos aos cofres públicos, de acordo com as primeiras apurações. As investigações continuam para determinar se houve responsabilidade de outros profissionais ou empresas na implementação desse esquema ilícito, cuja prática, se confirmada, viola a legislação tributária brasileira.
O que sabemos?
- Nelson Wilians negou participação na fraude de R$ 3,8 bilhões no ICMS.
- Ele entregou documentos ao Ministério Público após depoimento ao Cira.
- Escritórios de Wilians e De Paula estavam envolvidos em parceria para venda de créditos de ICMS, que foi rompida em novembro de 2024.
- A investigação aponta que créditos falsificados podem ter sido vendidos, causando prejuízo ao erário público.
- Ainda não há confirmação oficial de envolvimento de Wilians em crimes de lavagem de dinheiro ou organização criminosa.
Fontes
- G1 imprensa




