Justiça de Presidente Prudente condena homem por mensagens preconceituosas contra religiões de matriz africana
Décisão foi unânime e determina a realização de serviços comunitários no lugar da pena de reclusão
Um homem foi condenado pela Justiça de Presidente Prudente, interior de São Paulo, por postar mensagens discriminatórias nas redes sociais contra religiões de matriz africana. Além de conteúdo preconceituoso, ele divulgou vídeos de destruição de terreiro e ameaçou de morte seus adeptos.
Segundo informações do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) divulgadas nesta sexta-feira (9), a condenação se deu após o homem de idade não especificada postar mensagens ofensivas e de incitação à violência contra religiões de matriz africana em um perfil na rede social que possuía mais de 40 mil seguidores. Ainda conforme o TJ, ele também publicou vídeos que mostravam cenas de destruição de um terreiro e fez ameaças de morte a quem praticasse essas crenças.
O relator do processo, desembargador Luiz Fernando Vaggione, afirmou que as postagens não se trataram de meras opiniões pessoais, reforçando que a liberdade de expressão não ampara manifestações de discriminação pública. Segundo ele, "as postagens, que incluíam a republicação de conteúdo de terceiros e manifestações de concordância do réu, inviabilizam a absolvição". A condenação foi aprovada por unanimidade na 2ª Vara Criminal de Presidente Prudente.
Por decisão unânime da corte, a pena inicialmente prevista de 2 anos de reclusão, com regime aberto, foi substituída por prestação de serviços comunitários. Ainda não há confirmação se o homem cumprirá a pena dessa forma oficialmente, pois o TJ-SP ainda não se pronunciou detalhadamente sobre o andamento do processo ou o local onde os serviços serão realizados.
Essa condenação reforça a postura da Justiça de que manifestações de ódio e discriminação contra grupos vulnerabilizados, como unidades de religiões de matriz africana, não serão toleradas na sociedade brasileira. Ainda que alguns conteúdos tenham sido compartilhados de terceiros, o compartilhamento e a concordância do réu nas postagens contribuíram para a configuração do crime, de acordo com a decisão judicial.
Essa é uma importante vitória contra o discurso de ódio nas redes sociais, mas também um alerta de que a propagada intolerância pode levar a consequências legais, mesmo em um ambiente virtual onde a liberdade de expressão é frequentemente usada como justificativa para discursos discriminatórios. Ainda não há detalhes sobre a identidade do condenado ou o conteúdo exato que ele publicou, pois as informações oficiais não detalharam esses pontos.
O que sabemos?
- Homem foi condenado por postagens preconceituosas contra religiões de matriz africana.
- Ele divulgou vídeos de destruição de terreiro e fez ameaças de morte.
- A condenação foi aprovada por unanimidade na Justiça de Presidente Prudente.
- A pena de 2 anos de reclusão em regime aberto foi substituída por prestação de serviços comunitários.
- A condenação reforça que discriminação pública não é protegida pela liberdade de expressão.
Fontes
- G1 imprensa




