Policial

Investigações revelam possíveis casos de tortura em presídios do agreste de Pernambuco

Informações checadas ?

Relatório do Ministério Público aponta ferimentos e supostas agressões por parte de presos e na ausência de atendimento médico

Presídio do agreste de Pernambuco com movimento de entrada e saída de presos
Imagem: Folha de S.Paulo

O Ministério Público de Pernambuco está apurando denúncias de violência envolvendo detentos em unidades do agreste, após relatos de torturas e omissão por parte de autoridades das prisões.

O Ministério Público de Pernambuco iniciou uma apuração acerca de denúncias de tortura envolvendo presos em unidades do agreste do estado. Segundo informações obtidas por meio de fiscalização realizada em maio e julho deste ano, dois detentos foram encontrados com ferimentos e hematomas consideráveis, alegando serem vítimas de agressões realizadas por outros presos. Ainda não há uma confirmação oficial sobre a autoria dessas torturas, mas as denúncias levantaram questões relevantes sobre a situação do sistema prisional na região.

Durante uma das inspeções na Penitenciária Juiz Plácido de Souza, localizada em Caruaru, os fiscais identificaram um preso com hematomas pelo corpo, sobretudo nas nádegas. Segundo o relato dele, as lesões foram ocasionadas por golpes de mangueira de gás, uma prática que, conforme a denúncia, teria ocorrido por determinação de um outro detento conhecido como “chaveiro”, que controla administrativamente o pavilhão de forma informal. O preso explicou que as agressões aconteceram como reação à compra de um remédio em um outro pavilhão, e que chegou a desmaiar várias vezes durante a tortura, realizada por cerca de 15 pessoas. Apesar de os ferimentos serem evidentes, o documento aponta que o próprio diretor da unidade afirmou desconhecer a situação, e que, surpreendentemente, nenhuma medida de atendimento médico foi tomada na hora.

Relatos indicam ainda que as agressões se repetiram em outros três dias consecutivos, aumentando a preocupação entre os fiscais e promotores responsáveis pela investigação. Um policial penal, que estaria presente no momento das agressões, teria visto as lesões, mas, segundo o relatório, nada teria feito para interromper ou registrar a violência. O caso traz à tona a gravidade das condições de uma parte do sistema prisional na região e a aparente falta de fiscalização efetiva por parte das autoridades do Estado, que agora buscam esclarecer os fatos e determinar responsabilidades.

O Ministério Público ainda não confirmou oficialmente se irá promover ações civis ou criminais, mas a investigação continua em andamento, com a intenção de apurar se houve prática de tortura e omissão por parte dos responsáveis pelos presos. Ainda não há uma estimativa de quando o procedimento será concluído, nem uma posição definitiva do órgão sobre o caso, que continua sob análise. A situação reforça a necessidade de um olhar atento às condições do sistema penitenciário e à adoção de medidas que garantam os direitos dos detentos, além de medidas que coíbam práticas de violência dentro das unidades prisionais sofridas por quem deveria estar sob cuidado do Estado.

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O que sabemos?

  • Dois presos foram encontrados com ferimentos e hematomas em unidades do agreste de Pernambuco.
  • Relatos indicam que as agressões foram causadas por golpes com mangueira de gás.
  • As supostas torturas ocorreram em maio e julho deste ano.
  • Autoridades afirmam que as agressões ocorreram por motivação de problemas internos entre presos.

Fontes

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