Missionária envolvida com criminosos de facções é investigada por relacionamento com presos e ajuda ao crime organizado
Rhavenna Barcelos de Almeida, atuante em presídios de Mato Grosso, teria mantido contatos com criminosos ligados ao Comando Vermelho
Segundo investigação da Polícia Civil, Rhavenna Barcelos de Almeida, missionária que atuava em presídios de Mato Grosso, tinha relacionamentos amorosos com dois criminosos apontados como líderes de facções criminosas. Ela também é suspeita de ajudar na movimentação de dinheiro ilícito e de manter contato frequente com foragidos e presos por crimes graves.
Uma investigação da Polícia Civil revelou que Rhavenna Barcelos de Almeida, que atuava como missionária em presídios de Mato Grosso, mantinha relacionamentos pessoais com criminosos ligados ao tráfico de drogas e às organizações criminosas do Comando Vermelho. Segundo fontes da própria polícia, ela tinha autorização, junto aos seus pais, para atuar na assistência religiosa dentro das unidades penais do estado, mas o envolvimento com atividades do crime organizado levou as investigações a aprofundar os laços que a associam a criminosos perigosos.
De acordo com as apurações, Rhavenna teria relacionamento amoroso com dois homens apontados pela polícia: Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, considerado uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, e Renildo Silva Rios, preso há mais de duas décadas por crimes variados, incluindo homicídio, tráfico de drogas e formação de organização criminosa. A investigação aponta que Rhavenna e Batman se encontravam frequentemente no Rio de Janeiro, onde o criminoso, que havia recebido o benefício do regime semiaberto em setembro de 2024, rompeu a tornozeleira eletrônica três dias após a liberação, fugindo para o Rio. Ainda segundo fontes da investigação, Batman chegou a alertar Rhavenna sobre sua localização no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, e por mensagens ela demonstrou preocupação com operações policiais na região.
Além do relacionamento com Batman, Rhavenna também mantinha vínculo afetivo com Renildo Rios. A polícia afirma que o casal trocava mensagens pelo celular e que o preso enviava presentes para ela, incluindo uma pulseira de ouro e um carro. Uma amiga de Rhavenna chegou a registrar uma entrega de veículo para ela em um vídeo obtido na investigação, além de uma comemoração de Dia dos Namorados realizada em sua residência, na qual ela recebeu uma viagem ao Nordeste, enquanto Renildo acompanhava tudo por vídeo chamada. Entre as provas coletadas, há até um coração decorativo recheado de notas de R$ 100, indicando um possível uso estratégico de símbolos de ostentação.
As apurações também indicam que Rhavenna, junto com seus pais, Nivaldo e Orminda de Almeida, ajudava a movimentar dinheiro oriundo do tráfico de drogas, usando contas bancárias e métodos de dissimulação financeira. Segundo o delegado Victor Hugo Caetano, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), a família tinha relação direta com integrantes do alto escalão da facção no estado. Os investigadores apontam que a atuação religiosa do grupo teria sido utilizada como estratégia para estreitar laços com membros do crime e facilitar a comunicação, além de levar recados e ajudar na ocultação de valores ilícitos.
Rhavenna e seus pais foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público de Mato Grosso também formalizou denúncia contra ela, Orminda e Renildo Rios, e a Justiça local proibiu a participação da família e de outras quatro pessoas na assistência religiosa em presídios, reforçando a preocupação das autoridades com o uso político e criminoso dessas atividades. Ainda não há confirmação de que outras pessoas tenham sido formalmente implicadas ou de como essa operação vai evoluir na Justiça, pois o próprio clube não se pronunciou oficialmente até o momento.
O que sabemos?
- Rhavenna mantinha relacionamento com criminosos ligados ao Comando Vermelho.
- Ela e os pais tinham autorização para atuar como missionários em presídios de Mato Grosso.
- Batman, um dos criminosos, rompeu tornozeleira e fugiu para o Rio de Janeiro.
- Rhavenna sabia da localização de Batman, que chegou a compartilhar mensagens com ela.
- A família de Rhavenna é investigada por ajudar na movimentação de dinheiro vinculado ao tráfico.
- Ela trocava mensagens e trocava presentes com Renildo Rios, preso há mais de 20 anos.
Fontes
- G1 imprensa





