Investigações apontam lavagem de dinheiro do PCC por corretora na Paulista
Operação da Polícia Federal revela tráfego financeiro suspeito associado ao crime organizado
Uma corretora de câmbio na avenida Paulista, em São Paulo, é alvo de apurações por suspeita de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional e do PCC. Operações indicam envolvimento com valores elevados e rotas criminosas dispersas pelo Brasil.
Uma corretora de câmbio instalada em uma galeria na avenida Paulista, em São Paulo, está no centro de uma investigação da Polícia Federal por suspeitas de atuar na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas e do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme informações apuradas exclusivamente por esta reportagem. Segundo fontes da própria Polícia Federal, a empresa estaria envolvida em um esquema que visa internalizar recursos ilegais no Brasil, além de facilitar transferências financeiras clandestinas de grande volume.
A corretora, localizada numa sala pequena decorada com adesivos de cédulas estrangeiras e um aquário, fica próxima à avenida Brigadeiro Luís Antônio. Ainda segundo a PF, a operação de lavagem era apoiada pelo sistema ilegal conhecido como dólar-cabo, método que permite a transferência de recursos entre países sem os registros formais do sistema bancário oficial. Nesse esquema, uma pessoa em um país recebe dinheiro; outra, em outro local, disponibiliza o valor correspondente, e ambos se ajustam por meios clandestinos, dificultando o rastreamento pelas instituições financeiras.
As investigações apontam que a proprietária da corretora, identificada como Marcos Alexandre Agustoni, exerceria papel crucial nesse esquema. A Polícia Federal revelou que, após quebras de sigilo bancário, identificou mensagens indicando que Agustoni estaria envolvido em uma remessa de US$ 1,7 milhão — aproximadamente R$ 8,67 milhões na cotação atual — com destino a Roterdã, na Holanda. Além disso, há registros de contatos entre ele e investigados de rotas internacionais de tráfico de drogas. A PF apreendeu na operação R$ 120,5 mil em espécie, além de US$ 25,9 mil (equivalente a R$ 132 mil) e 2.625 euros (cerca de R$ 15,5 mil), além de computadores e celulares, durante buscas na casa de câmbio.
Segundo a própria PF, a segurança do estabelecimento era realizada por agentes que, supostamente, seriam expulsos da Rota, uma tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, embora ainda não haja confirmação oficial sobre essa informação. A investigação, que teve início em 2021 na cidade de João Pessoa, teve sua origem na prisão de dois italianos ligados à máfia italiana 'Ndrangheta, e ainda não foi encerrada.
O caso ainda aguarda decisão judicial, enquanto a defesa de Agustoni afirma que ele
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





