Polícia Civil investiga responsáveis por tragédia em prédio de São Paulo
Autoridades apontam ao menos quatro pessoas por homicídio com dolo eventual após desabamento que deixou seis mortos
A polícia anunciou que irá indiciar quatro pessoas pelo desabamento de edifício na Zona Leste, SP, que resultou na morte de seis vítimas. Investigações também apontam medidas tomadas pela prefeitura contra construtoras responsáveis.
Na madrugada do último sábado, um prédio em construção na Zona Leste de São Paulo desabou, resultando na morte de seis pessoas e deixando muitas outras feridas. Segundo informações da Polícia Civil, pelo menos quatro indivíduos ligados ao empreendimento devem ser indiciados por homicídio com dolo eventual, um crime que indica que os responsáveis tinham consciência dos riscos que poderiam ocasionar a morte, mas mesmo assim prosseguiram com a obra.
De acordo com o delegado seccional de Itaquera, responsável pelo caso, as pessoas que ainda não tiveram seus nomes oficialmente divulgados, incluem os responsáveis pela construtora e uma fiscal da prefeitura. Ele afirmou que, já com prisão decretada, três pessoas estão entre os possíveis indiciados, além da funcionária, cuja identidade ainda não foi confirmada oficialmente. A polícia também ouviu 12 pessoas até o momento, e o entendimento é de que houve negligência e risco explícito na continuidade da obra.
O desabamento trouxe à tona um histórico de problemas envolvendo o local, que remonta a pelo menos cinco anos. Segundo a prefeitura de São Paulo, em 2021 foi solicitada a demolição de uma construção irregular na mesma área e a multa aplicada na ocasião foi de R$ 119 mil. A construtora, que apresentou um novo projeto em 2022, obteve em 2023 um alvará de construção desde que fosse demolida uma estrutura anterior, o que, segundo as autoridades, não teria sido feito de forma adequada. Uma foto de janeiro de 2023 mostra um prédio de oito andares na área, mas, após o acidente, a defesa da construtora afirmou que nada havia sido demolido, fato que ainda não foi confirmado oficialmente.
Durante depoimento concedido nesta terça-feira (15), a fiscal Viviane Rodrigues de Palma, que foi afastada por 120 dias, admitiu que não entrou na obra, embora tenha delegado que sua vistoria fosse baseada principalmente na análise visual e em dados disponíveis na prefeitura. Ela negou que tenha atestado a demolição ou declarado que a estrutura irregular tivesse sido destruída, explicando que sua atuação baseou-se em registros internos e imagens, mas sem inspeção direta no local. Viviane também afirmou que não entrou na obra e que, ao chegar, ela já tinha vários andares construídos e que a obra não apresentava sinais de abandono.
O incidente elevou várias preocupações sobre a fiscalização de construções na cidade, além das condições de segurança do prédio que desabou. A prefeitura de São Paulo anunciou a paralisação de 26 empreendimentos ligados às construtoras envolvidas, enquanto o município trabalha para responsabilizar aqueles que tiveram participação na tragédia. Ainda não há uma posição oficial definitiva sobre as razões exatas do desabamento, nem sobre se houve irregularidades específicas que agravaram a situação, mas as investigações continuam sob forte acompanhamento policial e judicial.
O que sabemos?
- Polícia Civil planeja indiciar ao menos quatro pessoas por homicídio com dolo eventual.
- Desabamento de prédio na Zona Leste de São Paulo causou seis mortes.
- Fiscal da prefeitura, Viviane Rodrigues de Palma, foi afastada por 120 dias, após depoimento.
- Histórico de problemas na obra remonta a pelo menos cinco anos, incluindo pedidos de demolição e multas.
- Construtora apresentou novo projeto em 2022 e obteve alvará em 2023 com condições específicas.
Fontes
- G1 imprensa




