Família autoriza doação de órgãos de motociclista baleado por policial em Niterói
Após morte cerebral, órgão foram doados por decisão dos familiares do jovem de 22 anos
Danilo Jander Francisco Alves, morto após ser atingido na cabeça por policial durante abordagem em Niterói, teve seus órgãos doados nesta quarta-feira (16), por decisão da família que desejava ajudar outras pessoas.
A família de Danilo Jander Francisco Alves, um jovem de 22 anos que morreu após ser baleado na cabeça por um policial em Niterói, autorizou na manhã desta quarta-feira (16) a doação de seus órgãos. Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, os órgãos captados pelo RJ Transplantes incluem o coração, fígado, pâncreas, rins e tecidos. Danilo havia sido atingido na cabeça na última sábado (12), após uma abordagem policial na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, e acabou entrando em morte cerebral na terça-feira (15).
A decisão familiar aconteceu em um momento de grande emoção, com a mãe do jovem, Débora Maciel Francisco, destacando que seu filho tinha o desejo de ajudar outras pessoas. Segundo ela, Danilo sempre dizia: "mãe, eu sempre vou ajudar as pessoas. Se um dia eu morrer, você doa meus órgãos, por favor. Deixa eu salvar as pessoas. Deixa eu ajudar quem precisa". Funcionários do Hospital Azevedo Lima, também em Niterói, aplaudiram a decisão da família, reforçando o impacto positivo de uma possível doação em vidas que podem ser salvas.
Desde o sábado, a polícia militar tem apurado as circunstâncias do tiro que atingiu o motociclista. Segundo um dos policiais envolvidos, ele e um colega faziam patrulhamento na região quando perceberam o jovem trafegando em alta velocidade, fazendo manobras como empinar a moto e passando por sinal vermelho. Os agentes relataram que usaram spray de pimenta contra o motociclista, que, ao levar a mão à região da cintura, foi baleado ao desembarcar da moto. O policial responsável pelo disparo afirma que a ação foi involuntária, alegando que o tiro saiu por erro, embora uma testemunha presente diga que Danilo parou, levantou as mãos e que o disparo foi feito logo após o spray de pimenta.
De acordo com a testemunha, a versão do policial difere de sua observação, que confirmou que o motociclista não apresentou comportamento suspeito antes de ser atingido. Ainda assim, detalhes sobre a atitude de Danilo antes do disparo continuam sob investigação pela Delegacia de Homicídios, que analisa imagens de câmeras de segurança para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. Não há confirmação oficial até o momento de que objetos ilícitos estavam com o jovem na hora da abordagem, e o policial envolvido foi preso em flagrante, sob alegação de disparo involuntário.
Por enquanto, o caso permanece sob investigação, e a polícia busca entender se os procedimentos adotados na abordagem seguiram os protocolos adequados. O episódio gerou comoção na comunidade local, sobretudo pela decisão da família de doar os órgãos do jovem, que deixa um legado de solidariedade. Ainda não há uma versão oficial completa do ocorrido, e o clube não se pronunciou sobre o caso até o momento.
O que sabemos?
- Danilo Jander, 22 anos, morreu após ser baleado na cabeça por policial em Niterói.
- Família autorizou a doação de órgãos após morte cerebral.
- Órgãos doados incluem coração, fígado, pâncreas, rins e tecidos.
- Policial alegou disparo involuntário; testemunha afirma que Danilo parou e levantou as mãos.
- A Polícia Civil investiga o caso com análise de câmeras de segurança.
Fontes
- G1 imprensa





