Policial

Execução na Flórida marca retomada de aplicação da pena de morte após anos de pausa

Em apuração ?

Após quase meio século sem execução, o Estado volta a aplicar a pena capital, provocando reações variadas.

Prisão de Raiford na Flórida, palco da execução de Harold Lucas
Imagem: BBC News Brasil

Na tarde de ontem, um condenado à morte na Flórida foi executado após décadas no corredor da morte. No país, o uso da pena de morte voltou a avançar no Estado, que lidera as execuções em 2026.

Na terça-feira, 1° de setembro, por volta das 18h, a prisão estadual de Raiford, na Flórida, testemunhou uma das execuções mais longamente aguardadas dos Estados Unidos. Harold Gene Lucas, de 74 anos, foi declarado morto às 18h18 após receber a injeção letal, procedimento que colocou um ponto final em uma vida marcada por tragédia e controvérsia. Segundo informações divulgadas pela prisão, Lucas pediu sua última refeição, composta por carne, batatas fritas, biscoitos, bolo, sorvete e leite, e foi acompanhado por sua única visitante, sua irmã. Antes da execução, Lucas foi questionado se desejava pronunciar suas últimas palavras, ao que respondeu que não, e foi então sedado com as substâncias que o levaram à morte em poucos minutos. Ele foi condenado por um crime cometido há cerca de 50 anos, envolvendo o assassinato de uma jovem de 16 anos, com quem teve saídas anteriores antes de disparar contra ela a tiros em 1976, aos 24 anos. A imprensa presente relata que, do outro lado do vidro, cerca de 40 pessoas assistiam ao procedimento, incluindo Eleanor Piper, mãe da vítima, que atualmente usa cadeira de rodas. Para ela e para outros familiares da jovem assassinada, a sensação, segundo um irmão de Jill Piper, foi de "grande alívio" com a concretização da sentença. Ainda não confirmado oficialmente, o condenado decidiu não recorrer mais das suas motivações, o que levou à sua execução após vários recursos judiciais ao longo de cinco décadas, segundo a fonte. Além de marcar uma vitória para os defensores do endurecimento penal, a morte de Lucas reforça o debate sobre o uso da pena capital na Flórida, que nos últimos meses vem registrando uma retomada intensa. Desde janeiro de 2026, o Estado executou 15 condenados, ultrapassando o total de todas as outras unidades federais do país juntas e contando, ainda, com as 19 pessoas mortas ao longo de 2025, ano que atingiu a maior quantidade de execuções desde o restabelecimento da pena de morte em 1976. Os dados são do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, uma organização que monitora esse tipo de punição nos EUA. A pena de morte é uma prática que, embora seja permitida nos Estados Unidos — país que mantém a pena capital mesmo sendo o único nações ocidental a adotá-la —, sempre gera debates acalorados. A decisão da Suprema Corte americana de 1972, que suspendeu temporariamente as execuções devido à sua arbitrariedade e discriminação racial, não impediu que a Flórida retomasse a aplicação da pena de morte, sendo o primeiro Estado a alterar suas leis para isso. Segundo informações da BBC News Brasil, a tendência de aumento nas execuções nos últimos dois anos é um fenômeno only no contexto do Estado, uma mudança que choca diante da redução global do uso da pena capital em outros Estados americanos, que recentemente aboliram ou suspenderam seu uso. Ainda não há confirmação oficial sobre a motivação estratégica dessa retomada na Flórida, que tem se destacado por manter uma postura mais rígida, especialmente sob o governo do republicano Ron DeSantis. Essa retomada tem gerado reações diversas, incluindo o relato de familiares das vítimas e de organizações contrárias à pena de morte, que veem na prática uma perpetuação do ciclo de violência e injustiça.

Publicidade

O que sabemos?

  • Lucas foi executado na Flórida após 50 anos no corredor da morte.
  • A última refeição dele incluiu carne, batatas fritas, bolos, sorvete e leite.
  • Ele matou uma jovem de 16 anos em 1976.
  • A execução ocorreu às 18h18 na prisão de Raiford.
  • Desde janeiro de 2026, o Estado já executou 15 condenados.
  • Ano passado, foram 19 execuções, maior número desde 1976.

Fontes

Publicidade