Construtora investigada após tragédia em São Paulo tem histórico de fraudes e atrasos
Empresa ligada ao desabamento de prédio na Zona Leste também enfrenta acusações de estelionato com prejuízos superiores a R$ 4 milhões
Conjurando-se sob investigação após um desabamento que matou seis pessoas, construtoras de São Paulo acumulam boletins de ocorrência por golpes e atrasos na entrega de imóveis, segundo fontes. Clientes relatam prejuízos de milhões e obras embargadas por riscos à segurança.
As construtoras New Home e Hastiforme, que estão sob investigação por causa do desabamento de um prédio na Vila Granada, na Zona Leste de São Paulo, também possuem um histórico de problemas anteriores envolvendo fraudes milionárias e atrasos na entrega de imóveis. Segundo informações apuradas pela reportagem, essas empresas têm vários boletins de ocorrência por estelionato registrados na mesma região, com pelo menos 20 clientes alegando prejuízos que ultrapassam R$ 4 milhões. Os imóveis em questão ficam todos na Zona Leste da capital, região também afetada pelo recente desabamento, que resultou na morte de seis pessoas.
Uma das vítimas, um comerciante que preferiu não se identificar, processa a construtora na Justiça após perder mais de R$ 380 mil de suas economias familiares na compra de um imóvel que nunca foi entregue. Segundo ele, vendeu o apartamento onde morava com a família para dar entrada em um sobrado prometido para construir dentro de um condomínio de 12 casas na Avenida Padres Olivetanos, na Penha. A entrega do residência, prevista para o fim de 2024, foi cancelada após a Justiça embargar a obra devido a riscos de segurança para uma escola infantil ao lado. Ainda de acordo com o cliente, a construtora não informou os compradores sobre o problema até que, ao visitar o local, ele próprio viu uma decisão judicial de embargo afixada na obra, após várias desculpas pelos atrasos.
As investigações revelam que muitas obras da mesma construtora foram embargadas por não possuírem alvará de construção adequado, o que levanta questões sobre a legalidade dos empreendimentos. A escola situada próxima ao canteiro de obras também denunciou rachaduras, infiltrações e rachaduras nas paredes, que colocam em risco as crianças do maternal que estudam no local. Laudos particulares e decisões administrativas da Prefeitura de São Paulo confirmaram a interdição parcial da obra, decretada pela juíza Vivian Bastos Mutschaewski em 3 de abril de 2025. Na ocasião, além do embargo judicial, a subprefeitura da Penha realizou uma nova vistoria nesta quarta-feira (16) e determinou a reintegração da interdição, reforçando a gravidade dos riscos de acidentes com quase duas obras interditadas na região.
Clientes afetados continuam na luta por seus direitos: o casal de compradores relata dificuldades para reaver o dinheiro investido, com a construtora bloqueando contatos e evitando negociações, além de terem registrado boletim de ocorrência por estelionato. A disputa judicial já dura quase dois anos, sem solução até o momento. Esse contexto reforça as suspeitas de que a construtora vinha operando de forma irregular há anos, colocando em risco a segurança e o patrimônio de seus clientes. Ainda não há confirmação oficial de alguma ligação direta entre essas práticas e o acidente que matou as seis vítimas da semana passada, mas o caso acende um alerta para as autoridades e para quem tem negócios com essas construtoras na capital paulista.
O que sabemos?
- Construtora investigada após desabamento na Zona Leste de SP
- Clientes acumulam prejuízos de mais de R$ 4 milhões por estelionato
- Obras da construtora frequentemente embargadas por falta de alvará
- Uma obra embargada por riscos à segurança de uma escola infantil
- Clientes buscam reaver dinheiro em processos judiciais
Fontes
- G1 imprensa





