Brasileiro é preso enquanto tentava defender apoiador de Lula na embaixada do Brasil em Buenos Aires
Caso gera mobilização de amigos e protestos por sua libertação, após tumulto durante fila eleitoral
Emiliano Fuentes Firmani, gestor cultural brasileiro-argentino, foi detido na manhã deste domingo enquanto aguardava para votar na embaixada brasileira em Buenos Aires. Amigos promovem protesto para tentar libertá-lo.
Na manhã deste domingo, uma situação inusitada ocorreu na embaixada do Brasil em Buenos Aires, onde Emiliano Fuentes Firmani, um gestor cultural brasileiro-argentino de 47 anos, foi preso enquanto aguardava para votar nas eleições presidenciais brasileiras. Segundo relatos de testemunhas e informações passadas por uma fonte que prefere não ser identificada, amigos do brasileiro-argentino se mobilizaram para exigir sua libertação, considerando a detenção como injusta e motivada por um incidente durante a fila de votação.
De acordo com o relato, o episódio teve início quando Fuentes tentou defender um ambulante que estava vendendo camisas do então candidato Lula, do PT, na fila da urna. Os agentes de segurança afirmaram que ele agarrou as mercadorias que estavam sendo apreendidas e se recusou a devolvê-las ao oficial, o que, segundo a Polícia local, resultou na sua prisão por resistência à autoridade e por atentar contra a ordem. Ainda não há confirmação oficial, mas segundo informações extraoficiais, o brasileiro-argentino foi detido por “atentado e resistência contra a autoridade”, crimes que, na legislação argentina, podem ter penas de seis meses a dois anos, caso o acusado “puser as mãos na autoridade”, conforme apontou uma fonte próxima ao caso.
O tumulto ocorreu quando Fuentes tentou impedir a prisão, filmando a cena e tentando impedir que ele fosse levado algemado ao carro da polícia. Testemunhas relataram que o clima ficou pesado, com gritos e discussões entre os presentes, que criticaram a ação policial e pediram a libertação do brasileiro. Funcionários da embaixada brasileira, inclusive o cônsul-geral Raymundo Magno, tentaram interceder para acalmar os ânimos e garantir que a situação não se agravasse ainda mais, mas ainda não há confirmação de que tenham conseguido evitar a prisão ou intervenções mais concretas para sua libertação.
Segundo informações divulgadas por amigos de Fuentes na rede social, a mobilização busca reunir apoiadores e promover um protesto pacífico em frente ao centro de detenção na rua Suipacha, no centro de Buenos Aires, onde ele permanece sob custódia provisória. Ainda não há uma declaração oficial das autoridades locais ou do clube de Fuentes, nem confirmação de que a prisão tenha sido imediatamente confirmada por órgãos policiais, uma vez que fontes oficiais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso. O que se sabe é que o gestor cultural é filho de argentinos, viveu no Brasil na infância — fugindo da ditadura militar em seu país natal — e participa normalmente das eleições brasileiras, tendo registrado o momento do voto em 2022 com uma postagem nas redes sociais dizendo: “Mais de 1 km de fila para votar Lula presidente.”
Ao longo do processo, a votação na embaixada foi marcada por cenas de confusão, com manifestantes vendendo chapéus em apoio a Lula, bandeiras do Brasil e gritaria de apoiadores e detratores do político. As regras eleitorais brasileiras, que proíbem manifestações com roupas padronizadas ou instrumentos de propaganda até as 17h do dia da eleição, parecem não ter sido efetivamente respeitadas naquele momento, contribuindo para o clima de conflito. Lula obteve 77,2% dos votos na cidade de Buenos Aires em 2022, contra 22,8% de Jair Bolsonaro, no segundo turno, enquanto no resultado geral do país, o petista venceu com 50,9% dos votos válidos, conforme dados oficiais da Justiça Eleitoral brasileira.
O que sabemos?
- Emiliano Fuentes Firmani foi preso na manhã de domingo na embaixada do Brasil em Buenos Aires.
- Ele tentou defender um ambulante vendendo camisas de Lula que estavam sendo apreendidas.
- A prisão ocorreu após o brasileiro-argentino se recusar a devolver as mercadorias ao policial.
- Segundo relatos, ele foi preso por 'atentado e resistência contra a autoridade'.
- Amigos convocaram protesto pacífico na rua Suipacha para tentar sua libertação.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




