Policial

Advogada de Curitiba recebe medida protetiva após ataque motivado por atuação profissional

Em apuração ?

Primeira aplicação da Lei Maria da Penha na proteção de advogada no Paraná por violência relacionada à profissão

Câmera de segurança registra agressão a advogada em Curitiba
Imagem: G1

Kelen Cristina Ribas da Silva foi vítima de um ataque no sábado (29), motivado por seu trabalho em um processo de pensão alimentícia. Ela recebeu uma medida protetiva de urgência no dia seguinte, em uma decisão inédita no estado.

Uma advogada de Curitiba, aos 35 anos, recebeu uma medida protetiva de urgência após sofrer um ataque na manhã do sábado (29), que foi acessado por câmeras de segurança e registrado oficialmente pelas autoridades locais. Segundo informações de uma fonte do caso, ela atuava em uma ação de pensão alimentícia contra um homem condenado a pagar valores referentes a três filhos e, por essa atuação, teria despertado a ira do agressor.

De acordo com a Polícia Civil, o episódio aconteceu enquanto a advogada se preparava para sair de sua garagem. O homem, identificado até o momento como Juliano Muniz dos Santos, chegou ao local em um veículo e colocou a cabeça para fora da janela, acelerando até colidir com o carro da profissional. Ela relata que, ao sentir o impacto, seu carro foi empurrado para frente, mesmo com o freio de mão puxado, e ela acabou batendo a cabeça e machucando o pescoço. Ainda não há confirmação oficial sobre ferimentos mais graves ou possíveis sequelas.

O agressor, que é ex-companheiro de uma cliente representada pela advogada na mesma ação de pensão, não possui advogado constituído até o momento, conforme a fonte. O caso foi registrado como tentativa de homicídio simples e coação pela Polícia Civil, que também constatou que Juliano foi proibido de se aproximar ou de contatar a vítima por qualquer meio. A decisão aconteceu no domingo (30), pela autoridade do Plantão Judiciário, com base na avaliação do risco atual e concreto à integridade física e psicológica de Kelen.

Segundo informações de uma fonte próxima ao caso, as ameaças começaram em julho, logo após a Justiça determinar que o homem efetuasse o pagamento da pensão aos três filhos que possui com a cliente da advogada. A profissional também relatou que, na véspera do ataque, ele foi até seu escritório, o que aumentou sua preocupação com possíveis ameaças ou retaliações. Após o episódio, ela registrou um Boletim de Ocorrência e procurou a Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Paraná (OAB-PR), que foi a entidade responsável por solicitar a medida protetiva com base na interpretação do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Maria da Penha pode ser aplicada a casos envolvendo violência motivada por questões de gênero, mesmo quando não há relação familiar ou afetiva entre vítima e agressor.

Sobre o caso, a presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-PR destacou a importância da proteção jurídica às mulheres em qualquer situação de violência, especialmente na profissão de advocacia, que agora marca uma primeira no Paraná ao aplicação dessa proteção à atuação profissional. Ainda que questões envolvendo reagir a ameaças ou ataques ainda estejam sob investigação, o caso reforça a necessidade de mecanismos de defesa e proteção às profissionais que atuam em áreas sensíveis com grande exposição a riscos.

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O que sabemos?

  • Advogada de Curitiba recebeu medida protetiva após ataque no sábado (29).
  • A agressão foi motivada pela atuação profissional em uma ação de pensão alimentícia.
  • Ao colidir com o carro da advogada, o agressor foi identificado como Juliano Muniz dos Santos.
  • Juliano foi condenado a pagar pensão na época da ataque.
  • A Polícia Civil registrou o caso como tentativa de homicídio simples e coação.

Fontes

  • G1 imprensa
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