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Resgate na fronteira entre China e Nepal após deslizamento de lama deixa dezenas de mortos

Em apuração ?

Equipes buscam vítimas e enfrentam destruição em passagem de fronteira devastada por enchentes

Equipes de resgate chinesas vasculham escombros na fronteira com o Nepal após deslizamento de lama
Imagem: CNN Brasil

Mais de 1.350 pessoas morreram e milhares ainda estão desaparecidas após um deslizamento de lama na fronteira entre China e Nepal. O desastre, causado pelo colapso de uma geleira, destruiu a principal passagem entre os países, dificultando as operações de resgate.

Equipes de resgate chinesas continuam a correr contra o tempo na fronteira com o Nepal após um grave deslizamento de lama que destruiu a passagem de Gyirong, um ponto estratégico de comércio e transporte entre os dois países. Segundo informações divulgadas neste domingo por fontes oficiais chinesas, até o momento, mais 12 corpos foram recuperados na região, que foi completamente soterrada após o incidente, ocorrido em 26 de agosto. Ainda não há confirmação oficial sobre o número total de vítimas, mas o desastre deixou mais de 1.350 mortos em ambos os lados da fronteira, além de cerca de 5 mil desaparecidos, de acordo com autoridades nepalesas e chinesas.

Neste domingo, uma equipe de jornalistas convidados pelo Ministério das Relações Exteriores da China visitou o local, situado em um estreito desfiladeiro fluvial, onde a destruição é visível em meio ao campo desolado de lama cinza-escura. A passagem, que antes tinha um prédio de cinco andares, não apresenta mais vestígios da estrutura original. A única estrutura visível é uma torre de água parcialmente intacta, próxima a um campo de lama, além de uma bandeira chinesa fincada no local onde ficava o portão de fronteira, agora irreconhecível. Nas imediações, equipes de resgate utilizam escavadeiras, pás e radares de inserção no solo para vasculhar os escombros. Por trás de sinais de aviso de perigo, resgatistas recolhem impressões digitais, características de identificação e itens pessoais — foram cerca de 993 objetos recolhidos até o momento. Segundo fontes, essa coleta é uma tentativa de facilitar a identificação das vítimas, uma tarefa que ainda não teve detalhes esclarecidos pelas autoridades chinesas, especialmente no que diz respeito ao uso de reconhecimento facial ou testes de DNA, prática ainda não confirmada oficialmente.

As famílias de desaparecidos, incluindo diplomatas de vários países, manifestaram frustração com a limitada quantidade de informações compartilhadas por Pequim. Ainda não há uma posição oficial do governo chinês sobre o procedimento exato de identificação, nem sobre o uso de imagens de vídeo para facilitar o reconhecimento dos corpos, apesar das declarações do Ministério das Relações Exteriores, que afirmou que as informações sobre as inundações têm sido divulgadas de forma “transparente e oportuna”. A passagem de Gyirong, que ganhou importância após o terremoto de 2015 que danificou uma rota alternativa, foi considerada por muitos como um símbolo da devastação e da vulnerabilidade da região às forças da natureza. A situação também evidencia os desafios enfrentados pelos países na coordenação de resgates e no fornecimento de informações às famílias afetadas, numa tragédia cujas proporções ainda estão sendo avaliadas.

Segundo especialistas, o colapso da geleira e o subsequente deslizamento de lama representam um risco potencial de desastres naturais cada vez mais frequentes na região do Himalaia, que sofre com o impacto das mudanças climáticas, além de problemas de infraestrutura que dificultam a atuação das equipes de emergência. Ainda não há uma previsão oficial de quantas pessoas completas serão recuperadas ou de como será conduzido o processo de identificação, mas o incidente reforça a urgência de respostas coordenadas e o reforço na infraestrutura de resgate na área, que agora é marcada por uma destruição quase total. A comunidade internacional acompanha com preocupação as operações e a evolução da situação, enquanto a ONU busca arrecadar cerca de R$ 256 milhões para atender às necessidades emergenciais das vítimas de enchentes no Nepal, uma crise que assola centenas de famílias e que ainda não arrefeceu.

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O que sabemos?

  • Equipes de resgate recuperaram 12 corpos na fronteira China-Nepal.
  • Deslizamento de lama destruiu a principal passagem entre os países em 26 de agosto.
  • Mais de 1.350 mortos e 5 mil desaparecidos após o desastre.
  • Autoridades chinesas confirmaram 43 mortes no lado chinês e 519 pessoas desaparecidas até sábado (5).

Fontes

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