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Corte de ajuda dos EUA a programa de monitoramento no Nepal preocupa especialistas

Em apuração ?

Fim do financiamento afeta esforços de prevenção a deslizamentos em regiões montanhosas elevando riscos diante das mudanças climáticas

Montanhas do Himalaia com sinais de deslizamentos e áreas vulneráveis
Imagem: CNN Brasil

O governo dos Estados Unidos interrompeu o financiamento de um programa dedicado a monitorar riscos de deslizamentos no Nepal, aumentando a vulnerabilidade de áreas afetadas por desastres naturais decorrentes do aquecimento global.

Segundo fontes ligadas ao projeto, o programa conhecido como SERVIR-Hindu Kush Himalaia, que tinha como objetivo identificar pontos críticos de deslizamentos de terra no Nepal, teve seu financiamento interrompido pelo governo dos Estados Unidos no início de 2025. A medida foi tomada antes de uma reorganização da USAID, agência que auxiliava na parceria, e ocorreu num momento em que o mundo se depara com o aumento da ocorrência de desastres naturais relacionados às mudanças climáticas. Apesar de o projeto ainda não ter sido capaz de evitar tragédias, sua existência era vista como um passo importante na proteção de comunidades vulneráveis dessas regiões.

De acordo com Birendra Bajracharya, ex-diretor do projeto, a suspensão do financiamento impediu avanços essenciais na detecção precoce de movimentos de encostas, além de prejudicar esforços de conscientização sobre os riscos de deslizamentos ligados a precipitações extremas. Ainda segundo Bajracharya, a interrupção ocorreu por mudanças nas prioridades do governo americano em relação à ajuda externa, e ele relatou ter sido informado de que as atividades do projeto foram suspensas por volta do final de janeiro de 2025, embora o contrato pré-estabelecido fosse até 2026. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que, mesmo com o corte de financiamento, as ferramentas e serviços continuam ativos por meio de outra organização, o ICIMOD, e que o país mantém o apoio a programas de mitigação de enchentes.

O episódio ocorre em meio a uma série de tragédias na região do Himalaia. Na última semana, mais de 1.200 pessoas morreram após um grande deslizamento de gelo e rochas que causou enchentes em massa, atingindo o Nepal e a China. Segundo informações, o evento resultou de uma ruptura de uma geleira no alto do Himalaia — fenômeno raro, mas agravado pelas mudanças climáticas, que estão desestabilizando as geleiras da região. Ainda não há confirmação oficial da possibilidade de encontrar sobreviventes entre os trabalhadores de resgate, porém, as buscas continuam.

Especialistas indicam que incidentes como esse mostram a crescente necessidade de estratégias eficazes de monitoramento, que poderiam ter um papel crucial na prevenção ou mitigação das tragédias. Entretanto, a suspensão do programa dos EUA reforça as dificuldades enfrentadas na implementação de ações preventivas capazes de acompanhar fenômenos tão imprevisíveis, resultado de um cenário global que se mostra cada vez mais vulnerável a eventos climáticos extremos.

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O que sabemos?

  • EUA cortaram financiamento do programa SERVIR-Hindu Kush Himalaia em janeiro de 2025.
  • O programa visava identificar pontos críticos de deslizamentos no Nepal.
  • O corte ocorreu antes da reorganização da USAID e por mudanças de prioridades do governo dos EUA.
  • Mais de 1.100 pessoas morreram após deslizamento de gelo e rochas no Himalaia em agosto de 2025.
  • Eventos de ruptura de geleiras na região são raros e difíceis de prever.

Fontes

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