Encontram osso em caverna na China e novo vestígio amplia mistério sobre os denisovanos
Descoberta reforça conhecimento sobre grupo de hominídeos extintos na Ásia e revela detalhes sobre seus hábitos e ambiente
Pesquisadores revelam descoberta de um osso em caverna na China que pode ser do misterioso grupo de hominídeos chamados denisovanos. O achado aumenta as evidências sobre a presença antiga desses humanos na Ásia, especialmente na região de Yunnan-Guizhou.
Uma descoberta recente na China reacendeu o interesse na história antiga dos hominídeos que habitaram a Ásia há milhares de anos. Segundo um estudo publicado na revista Nature, um osso encontrado em uma caverna na região de Yunnan-Guizhou, na China, pertence a um grupo de humanos extintos conhecido como denisovanos. Essas evidências, ainda não confirmadas oficialmente, ampliam o entendimento sobre a presença e o modo de vida desses grupos antigos, que até agora eram conhecidos por um número limitado de fósseis.
Os vestígios foram encontrados em uma caverna que foi habitada entre aproximadamente 190 mil e 70 mil anos atrás. Entre os fósseis humanos já identificados no local, há cinco que têm entre cerca de 134 mil e 167 mil anos. O que torna essa descoberta ainda mais relevante é que o osso em questão nunca havia sido atribuído anteriormente a um denisovano, oferecendo pistas essenciais para desvendar a aparência, o comportamento e os hábitos desses antigos habitantes da Ásia. Segundo a equipe de pesquisadores, o osso ajuda a preencher uma grande lacuna no nosso conhecimento, visto que, até o momento, os registros fósseis de denisovanos eram escassos e de difícil interpretação.
Além do achado ósseo, a escavação também revelou cerca de 1,4 mil artefatos de pedra, incluindo aproximadamente 200 ferramentas feitas de lascas, diversas das quais foram produzidas com matéria-prima local. Marcas nesses ossos de animais sugerem que os denisovanos praticavam caça, desmembramento de animais e extração de medula óssea de espécies de médio e grande porte, como bovinos e cervídeos. Esses artefatos indicam que eles eram capazes de utilizar estratégias de sobrevivência bastante eficientes, embora seus instrumentos fossem mais simples e rápidos de fabricar do que os utilizados pelos neandertais, que coexistiam na mesma época na Europa.
Segundo os estudos, os denisovanos também produziam ferramentas de osso, o que já havia sido registrado em outros sítios arqueológicos. Essa prática indica habilidades de manipulação de diferentes materiais na fabricação de instrumentos, embora esses artefatos não apresentem o grau de sofisticação das criações neandertais. O grupo de hominídeos, que é geneticamente relacionado a neandertais e também ao Homo sapiens, continua sendo um dos mais enigmáticos na história da evolução humana, especialmente pelo fato de que o seu registro fóssil é extremamente fragmentado. Ainda assim, análises de DNA antigo revelam que houve cruzamentos entre os denisovanos, neandertais e humanos modernos, complicando ainda mais a compreensão sobre sua aparência e modo de vida.
Segundo um especialista que acompanha a pesquisa, a presença dos denisovanos na região de Yunnan-Guizhou durante períodos de mudanças climáticas indica que eles conseguiram se adaptar ao ambiente local por um período considerável. A caverna de Bianfu, onde os achados foram feitos, atualmente é considerada o local com mais registros fósseis de denisovanos fora da caverna de Denisova, na Sibéria. Os pesquisadores aguardam o uso de técnicas adicionais, como a análise de proteínas, para identificar outros fragmentos ósseos e ampliar ainda mais a compreensão sobre esse grupo extinto, que parece ter desempenhado papel importante na história da evolução humana na Ásia.
O que sabemos?
- Um osso foi encontrado em uma caverna na China e pode pertencer aos denisovanos.
- O local foi habitado entre aproximadamente 190 mil e 70 mil anos atrás, com fósseis de 134 mil a 167 mil anos.
- A descoberta inclui restos de ferramentas de pedra e ossos de animais caçados pelos denisovanos.
- Os denisovanos eram uma linhagem de humanos antigos na Ásia, relacionados geneticamente a neandertais e humanos modernos.
- Pesquisadores pretendem usar análises de proteínas para identificar outros fósseis e entender melhor o grupo.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





