Incêndio destrói torre da prefeitura de Limoges durante protestos na França
Prédio neorrenascentista foi alvo de ataque durante onda de manifestações no país
Moradores de Limoges acordaram neste domingo diante das ruínas do prédio histórico após incêndio intencional na noite anterior.
Neste domingo, moradores de Limoges, no sudoeste da França, encontraram sua cidade marcada por uma cena de destruição: a torre da prefeitura, um edifício histórico do século 19, desabou na noite de sábado para domingo após um incêndio provocado durante protestos. Segundo informações ainda não oficialmente confirmadas, o fogo teria sido causado por um grupo de mascarados que invadiu o prédio na madrugada, em meio à maior onda de manifestações que o país vem enfrentando nos últimos anos.
O edifício, de estilo neorrenascentista e inaugurado em 1883, é considerado um monumento tombado e era conhecido por sua torre do relógio, que se ergue a 43 metros de altura sobre a praça central. Testemunhas relataram que, por volta das 23h de sábado, as chamas começaram a consumir o telhado do prédio, levando ao seu colapso. Segundo o representante do governo local, Maurice Barate, o telhado desabou sobre os andares inferiores, poupando apenas a ala oeste, enquanto grande parte do exterior do edifício foi destruída. Ainda segundo ele, a destruição representa uma "catástrofe patrimonial" para a cidade.
O prefeito de Limoges, Guillaume Guerin, denunciou a ação de vândalos que, segundo ele, agiram de forma pré-meditada. Em entrevista, ele afirmou que a polícia local foi rapidamente dominada por centenas de pessoas que quebraram janelas e usaram um aríete — um tronco pesado usado para arrombar portas — para invadir e derrubar a porta principal do prédio. "A logística, a organização e a premeditação por trás do ataque de ontem à prefeitura é algo que considero insuportável", afirmou Guerin, que também criticou a insuficiência de efetivos policiais presentes no momento, alegando que as forças de segurança nacionais haviam sido deslocadas para controlar os protestos nas ruas, deixando a cidade vulnerável.
Em vista do dano causado, Guerin declarou que usará seu cargo para pressionar por recursos, chegando a ameaçar renunciar caso sua cidade não receba 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,69 milhões) para reparar os danos. Muitas pessoas na cidade estão indignadas. Uma delas é a aposentada Edith Lorcen, que observava as ruínas e desabafou: "Estou enojada. Estou magoada. Mas isso não ajuda em nada se adicionarmos mais ódio por cima do ódio". A destruição do prédio, que resistiu até às duas guerras mundiais, reacendeu na memória dos franceses o incêndio de Notre-Dame, ocorrido em 2019, quando parte da catedral também caiu em fogo cruzado de eventos trágicos.
Até o momento, o próprio relato do ataque se baseia em testemunhos locais, e o clube de comunicação responsável pelo conteúdo ainda aguarda confirmações oficiais. A cidade de Limoges, até então conhecida por sua arquitetura e história, enfrenta agora uma recuperação delicada frente aos prejuízos evidentes e às tensões sociais que motivaram o ataque.
O que sabemos?
- O prédio da prefeitura de Limoges foi destruído por um incêndio durante protestos na noite de sábado para domingo.
- O incêndio foi causado por um grupo de mascarados que invadiu o local e quebrou janelas com armas improvisadas.
- A torre do relógio, de 43 metros de altura, desabou na noite do incidente.
- O edifício é considerado patrimôno tombado e foi inaugurado em 1883.
- O prefeito de Limoges afirmou que a polícia foi insuficiente para proteger o prédio devido à mobilização contra os protestos.
Fontes
- G1 imprensa





