Fóssil revela o primeiro dinossauro Diplodocus na Europa, 150 milhões de anos atrás
Descoberta na Espanha amplia entendimento sobre distribuição de saurópodes no período Jurássico
Pesquisadores encontram fósseis de uma espécie de dinossauro gigante fora da América do Norte pela primeira vez. A descoberta indica intercâmbio de faunas entre continentes há 150 milhões de anos.
Uma equipe de paleontólogos da Fundação Dinópolis, em Teruel, na Espanha, anunciou nesta semana a descoberta do que pode ser o primeiro esqueleto de Diplodocus encontrado na Europa, um dos dinossauros saurópodes mais conhecidos mundialmente. A descoberta, que ainda não foi confirmada oficialmente por outras fontes, foi revelada por um estudo publicado na segunda-feira (14) no Journal of Vertebrate Paleontology. Segundo o documento, os fósseis, compostos por vértebras e ossos chevron, datam de aproximadamente 150 milhões de anos, no período Jurássico Superior.
De acordo com a equipe de pesquisadores, a análise de 14 vértebras caudais e diversos ossos chevron revelou que o material fossilizado pode ser atribuído com confiança ao gênero Diplodocus, pertencente à família dos diplodocídeos. Essa família reúne alguns dos maiores dinossauros herbívoros de pescoço longo conhecidos. O estudo aponta ainda que esta é a mais completa evidência de um diplodocídeo na Europa, consolidando a hipótese de que esses animais, considerados símbolos de supergigantes no mundo dos dinossauros, tiveram uma presença mais extensa do que o previamente registrado.
Até o momento, restos fossilizados de Diplodocus foram encontrados principalmente na América do Norte, especialmente na formação Morrison, nos Estados Unidos. A descoberta na Espanha representa, portanto, uma novidade, sendo considerada uma das provas mais fortes de que, há cerca de 150 milhões de anos, havia intercâmbio de espécies entre continentes então em processo de separação. Ainda de acordo com os autores do estudo, essa evidência reforça a teoria de que as pontes terrestres temporárias, que ligavam diferentes regiões na época, permitiam que dinossauros se deslocassem entre continentes, inclusive entre a América do Norte e a Europa.
Segundo o estudo, essa conexão, que passava pelo que hoje é o Atlântico Norte, possibilitou o trânsito de faunas durante o período conhecido como Kimmeridgiano tardio ao Titoniano inicial. Outros estudos indicam que rotas similares ligavam também a América do Norte à Escandinávia, além de trajetos mais ao sul, que conectariam o Brasil e os atuais Camarões. Ainda não há, no entanto, uma confirmação oficial de que a descoberta na Espanha possa modificar o entendimento atual sobre a dispersão de dinossauros na Europa, já que o fósforo ainda está em análise e outros estudos serão necessários para validar suas conclusões. A equipe responsável destacou que, apesar de conhecida mundialmente graças à réplica de esqueleto apelidada de 'Dippy', que por anos esteve no Museu de História Natural em Londres, o registro fóssil europeu de diplodocídeos é escasso e fragmentado, o que torna essa nova descoberta especialmente relevante para o entendimento do período.
A pesquisa destaca ainda que esses dados contribuem para o entendimento de que a flora e a fauna do Jurássico poderiam ter percorrido grandes distâncias entre continentes graças às pontes terrestres, já que os oceanos ainda estavam formando suas barreiras definitivas. Ainda assim, a descoberta na Espanha ainda não foi oficialmente confirmada por outras fontes, e o clube responsável pelos estudos não se pronunciou até o momento. Assim, o que temos são evidências iniciais que podem ajudar a confirmar que, há cerca de 150 milhões de anos, a fauna de dinossauros na Europa era mais diversa e conectada do que se pensava anteriormente.
O que sabemos?
- Fósseis de Diplodocus foram encontrados na Espanha, na formação La Tejería.
- Datação indica cerca de 150 milhões de anos, período Jurássico Superior.
- Material fossilizado pode ser atribuído ao gênero Diplodocus, extinto há milhões de anos.
- A descoberta é a primeira de um Diplodocus na Europa, reforçando hipótese de intercâmbio de espécies entre continentes na época.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





