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Extrema direita na Saxônia-Anhalt mira museu Bauhaus com ameaças e discurso nazista

Em apuração ?

Grupo político pode deixar legado da icônica escola de arquitetura e design em risco ao propor cancelamento cultural

Cafeteria do Museu Bauhaus em Dessau, Alemanha
Imagem: Folha de S.Paulo

Na Saxônia-Anhalt, estado alemão onde a extrema direita ameaça vencer eleições estaduais em 6 de junho de 2026, a Fundação Bauhaus enfrenta críticas e riscos por ser considerada 'não suficientemente alemã' por integrantes do partido AfD, que quer apagar sua influência cultural.

O estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha, vive uma tensão política que pode impactar diretamente um dos grandes símbolos da arte moderna mundial: a Fundação Bauhaus, que preserva o legado da escola de arquitetura e design berço de movimentos inovadores do século XX. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a extrema direita alemã, especialmente o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), responsável por ameaças recentes ao museu e até por reviver discursos nazistas, considera a Bauhaus um "caminho errado" que deve ser corrigido, por não ser "suficientemente alemã".

Com eleições estaduais marcadas para o próximo domingo, 6 de junho de 2026, a Saxônia-Anhalt pode eleger um governo de extrema direita pela primeira vez desde o pós-guerra. Tal mudança política poderia abrir caminho para a concretização das ideias no programa do AfD, que inclui a tentativa de apagar o legado da Bauhaus. "Como a cultura na República Federal da Alemanha é de competência dos estados, após uma vitória nas eleições estaduais de 2026, teremos diversas possibilidades de pôr em prática nossas ideias em matéria de política cultural", afirmou um membro do partido, conforme divulgado pela Folha. Essa iniciativa representa um retrocesso que evoca justamente a perseguição sofrida pela escola sob o regime nazista.

Fundada em 1919 por Walter Gropius na cidade de Weimar, a Bauhaus é considerada uma das instituições mais importantes para o modernismo no mundo. Entre os artistas que passaram pela escola estão nomes como Wassily Kandinski, Marcel Breuer, Mies van der Rohe, Paul Klee e Oskar Schlemmer. A influência da escola é marcada por um enfoque inovador no design, arquitetura e arte, que moldou conceitos modernos reconhecidos globalmente. Entretanto, a escola enfrentou perseguição desde seus primeiros anos e teve que se mudar para Dessau em 1925, e um pouco depois para Berlim, em 1932, em meio à crescente hostilidade do partido nazista, que via a Bauhaus como uma ameaça ideológica e cultural.

A Fundação Bauhaus está sediada atualmente em Dessau, Saxônia-Anhalt, e cuida do patrimônio histórico e cultural deixado por aquela época. A ameaça de cancelamento, por conta da ascensão da extrema direita na região, reacende lembranças sombrias de censura e repressão cultural. O AfD vê a permanência da Bauhaus e seu legado como um obstáculo à "Alemanha original", um conceito que o partido associa a uma visão nacionalista e conservadora, rejeitando o chamado "sentimento de culpa em excesso" do país pelo passado nazista, conforme opinião divulgada pelo próprio partido.

Até o momento, essa informação foi divulgada exclusivamente pela Folha de S.Paulo e aguarda confirmação por outras fontes, assim como reações oficiais do museu e da Fundação Bauhaus. A situação, entretanto, já levanta preocupações sobre o futuro da escola e da preservação de um dos capítulos mais importantes da história cultural alemã e mundial.

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O que sabemos?

  • Saxônia-Anhalt é foco de disputa eleitoral e possível ascensão da extrema direita em 6 de junho de 2026.
  • O partido AfD critica a Fundação Bauhaus acusando-a de não ser "suficientemente alemã" e quer apagar seu legado cultural.
  • Bauhaus foi fundada por Walter Gropius em 1919 e teve que se mudar diversas vezes devido à perseguição nazista.
  • Informações sobre ameaças da extrema direita ao museu Bauhaus foram divulgadas apenas pela Folha de S.Paulo, aguardando confirmação por outras fontes.

Fontes

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