Descoberta revela antigo sistema vulcânico sob a costa leste da Inglaterra
Investigadores identificam vestígios de um potencial supervulcão de mais de 450 milhões de anos em Norfolk e Lincolnshire
Cientistas apontam que uma estrutura vulcânica de cerca de 454 milhões de anos foi localizada sob o leste da Inglaterra após três décadas de estudos. Apesar de ainda não confirmação oficial de sua classificação como supervulcão, a descoberta traz novas perspectivas sobre eventos explosivos do passado do planeta.
Uma importante descoberta geológica trouxe à tona a existência de uma antiga estrutura vulcânica sob o leste da Inglaterra, especificamente nas regiões de Norfolk e Lincolnshire. Segundo informações de uma análise publicada recentemente, uma formação de aproximadamente 454,4 milhões de anos foi identificada após quase 30 anos de investigações detalhadas. A descoberta levantou a possibilidade de tratar-se de um supervulcão, embora a comunidade científica ainda não tenha confirmado de forma definitiva essa classificação.
A pesquisa, conduzida por cientistas que analisaram cristais de zircão coletados há cerca de 80 anos em furos de sondagem na região, revelou pistas valiosas. Esses cristais, menores que um fio de cabelo humano, se formam no magma antes das erupções e contêm urânio, que se decomõe em chumbo a uma taxa constante, permitindo a datação precisa do evento geológico. Assim, foi possível estabelecer uma ligação entre as amostras inglesas e as cinzas vulcânicas da camada de tefra de Kinnekulle, que cobre partes da Escandinávia e do Mar Báltico.
A análise indicou que as cinzas originadas na antiga estrutura no leste da Inglaterra atravessaram o Mar de Tornquist, uma massa de água que existia na época do período Ordoviciano, entre 488,3 milhões e 443,7 milhões de anos atrás, até se depositar na região da atual Escandinávia. Essa extensão do impacto vulcânico demonstra a grandeza da erupção, que foi além de uma simples explosão local, atingindo áreas distantes e deixando um registro geológico que permanece até hoje.
De acordo com o vulcanólogo Peter Rowley, da Universidade de Bristol, as evidências sugerem que o evento realizado na Inglaterra foi de uma magnitude rara na história do planeta, comparável às maiores erupções conhecidas, como a de Oranui, na Nova Zelândia, há mais de 26.000 anos. Ele ressalta, entretanto, que o termo "supervulcão" não é muito bem visto na literatura científica, por ser considerado impreciso dentro da vulcanologia, sendo preferível descrever esse tipo de erupção como "ultrapliniana", uma categoria que engloba as explosões mais violentas registradas, que podem lançar mais de 1.000 quilômetros cúbicos de material.
Apesar do grande impacto e das evidências de uma erupção extremamente potente, os cientistas afirmam que determinar com exatidão o volume de material ejetado é difícil devido à degradação do material ao longo de milhões de anos. A última erupção dessa magnitude, segundo especialistas, aconteceu na antiga Nova Zelândia e deve ter durado dias ou semanas, projetando nuvens de cinzas a mais de 40 quilômetros de altura, atingindo a estratosfera com uma força comparável à de milhares de bombas atômicas. Ainda assim, por se tratar de um evento tão antigo, muitas informações continuam sendo objeto de estudo e debate na comunidade científica.
O que sabemos?
- Uma estrutura vulcânica de cerca de 454 milhões de anos foi descoberta sob o leste da Inglaterra.
- A análise utilizou cristais de zircão coletados há 80 anos em furos de sondagem.
- As cinzas de uma erupção antiga chegaram até a Escandinávia, atravessando o Mar de Tornquist.
- O evento teria sido de grande magnitude, semelhante às maiores erupções da história do planeta.
- Termo "supervulcão" ainda não foi oficialmente confirmado na comunidade científica.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada



