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Descoberta sob a Inglaterra revela antiga erupção com potencial de supervulcão

Em apuração ?

Vestígios de uma erupção de milhões de anos são investigados, levantando debates na comunidade científica

Mapa mostrando a localização do sistema vulcânico sob a costa leste da Inglaterra
Imagem: Aventuras na História

Cientistas identificaram uma estrutura vulcânica de cerca de 454 milhões de anos sob o leste da Inglaterra. A análise revela uma erupção de grande magnitude, possivelmente ultrapliniana, com efeitos que alcançaram regiões na Escandinávia.

Recentemente, uma equipe de geólogos revelou a existência de vestígios de uma antiga estrutura vulcânica sob a costa leste da Inglaterra, cujo passado explosivo data de aproximadamente 454,4 milhões de anos atrás, durante o período Ordoviciano. Segundo informações de uma análise publicada no Boletim da Sociedade Geológica da América, a descoberta envolve remanescentes localizados sob os condados de Norfolk e Lincolnshire, que levaram cerca de três décadas de investigações para serem parcialmente reconstruídos, devido ao grau de erosão e alterações sofridas ao longo de milhões de anos.

A curiosidade da comunidade científica gira em torno da classificação dessa formação geológica como um possível “supervulcão”. Ainda não há confirmação oficial sobre o uso do termo, que, na vulcanologia, costuma ser evitado devido à sua imprecisão. Segundo o vulcanólogo Peter Rowley, da Universidade de Bristol, o evento teria sido uma erupção ultrapliniana, a categoria mais violenta, capaz de liberar mais de 1.000 quilômetros cúbicos de material, uma escala comparável às maiores erupções conhecidas na história do planeta. Ele explica que, na prática, essas erupções podem durar dias ou semanas, e lançar cinzas que atingem mais de 40 quilômetros de altitude, chegando à estratosfera.

O estudo revelou que cristais de zircão, coletados há aproximadamente 80 anos durante sondagens na Inglaterra, tiveram sua datação feita via decaimento do urânio em isótopos de chumbo. Esses cristais, menores que um fio de cabelo humano, mostraram que a erupção produziu uma tefra – camadas de cinzas vulcânicas – que chegou até a região de Kinnekulle, na Escandinávia, atravessando o Mar de Tornquist daquela época. Essa descoberta ajudou a mapear o alcance das cinzas e a entender melhor a dimensão da explosão, que, embora antiga, deixou um impacto geológico de proporções extraordinárias.

Segundo especialistas, a magnitude do evento foi comparável a uma das maiores erupções conhecidas na história geológica recente, que ocorreu na Nova Zelândia há mais de 26 mil anos. No entanto, a classificação definitiva do fenômeno como um supervulcão ainda depende de debates na comunidade científica, que discute os limites do termo e sua aplicação para eventos tão antigos. Mesmo assim, as evidências sinalizam uma explosão de força incomum, capaz de projetar inúmeras toneladas de material à estratosfera, algo que só ocorre em eventos de explosividade máxima.

Por ora, a pesquisa reforça o entendimento de que eventos de grande escala há milhões de anos podem ter moldado as paisagens e o clima de regiões inteiras, porém, sua complexidade e o tempo decorrido dificultam uma precisão absoluta no volume total de material ejetado. Ainda assim, a descoberta reforça que nosso planeta possui uma história geológica repleta de eventos extremos, alguns dos quais ainda levantam dúvidas e geram debates acadêmicos sobre sua classificação, impacto e frequência.

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O que sabemos?

  • Vestígios de uma antiga estrutura vulcânica de 454 milhões de anos foram identificados sob a costa leste da Inglaterra.
  • Cristais de zircão coletados há 80 anos foram datados, indicando uma erupção de grande magnitude na região.
  • A erupção teria produzido tefra que atingiu a Escandinávia, atravessando o Mar de Tornquist.
  • Especialistas consideram que o evento foi uma erupção ultrapliniana, uma das mais violentas na história geológica.
  • O termo 'supervulcão' ainda é objeto de debate na comunidade científica, e a classificação definitiva do evento está em análise.

Fontes

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