Busca desesperada por trabalhadores desaparecidos em túneis no Nepal após enchentes
Equipes internacionais mobilizam recursos para resgatar centenas de operários soterrados em projetos hidrelétricos ao longo do rio Trishuli
Mais de 600 trabalhadores estão presos em túneis de usinas hidrelétricas no Nepal, soterrados por lama e detritos após enchentes devastadoras. Ações de resgate enfrentam dificuldades extremas devido a condições climáticas adversas e infraestrutura danificada.
Uma corrida contra o tempo está em andamento no Nepal para resgatar trabalhadores presos nas profundezas de túneis em projetos hidrelétricos soterrados por uma espessa camada de lama. Segundo a agência de desastres do país, pelo menos 933 trabalhadores continuam desaparecidos em diferentes usinas que foram devastadas pelas enchentes da semana passada ao longo do rio Trishuli, uma região remota e montanhosa que atravessa vários distritos.
As operações de busca e salvamento enfrentam obstáculos significativos. Além do terreno difícil, o mau tempo persistente, a lama acumulada e a destruição de estradas e pontes dificultam o acesso às áreas afetadas. Conforme informações da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal, o número de desaparecidos subiu para 3.925 pessoas em todo o país, com 639 desses trabalhadores vinculados especificamente a projetos hidrelétricos em funcionamento ou construção, localizados na região mais atingida pelo desastre.
Os túneis onde os trabalhadores possivelmente ficaram presos são usados para desviar as águas dos rios do Himalaia para as turbinas das usinas. A usina Trishuli-3A, que chamou a atenção das equipes de resgate, foi construída entre 2011 e 2019 e possui um túnel de adução com mais de 4 km de extensão. O tamanho e a complexidade dessas estruturas tornam a operação de resgate ainda mais desafiadora, pois qualquer operário pode estar muito distante da entrada dos túneis.
Para acelerar os trabalhos, as equipes utilizam máquinas pesadas, drones, cães treinados e até explosivos, conforme informou o escritório do primeiro-ministro nepalês em 30 de agosto. Além disso, especialistas estrangeiros da China, Índia e Coreia do Sul foram chamados para ajudar nos esforços de busca, reforçando a cooperação internacional diante da gravidade da situação.
A tragédia, iniciada na quarta-feira, 26 de agosto, atingiu cerca de 13 projetos hidrelétricos ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, especialmente no distrito de Rasuwa, próximo à fronteira com o Tibete, região controlada pela China. Até o momento, o número de mortos no Nepal já ultrapassa 900, e as autoridades temem que as vítimas continuem a aumentar nos próximos dias, dada a escalada nos desaparecimentos.
A grave situação evidencia os riscos enfrentados nos projetos hidrelétricos da região do Himalaia, em que Nepal, China e Índia investem intensamente para aproveitar seu potencial energético, mas que também estão vulneráveis a desastres naturais como enchentes e avalanches, colocando milhares de vidas em perigo.
O que sabemos?
- Mais de 933 trabalhadores estão desaparecidos em projetos hidrelétricos ao longo do rio Trishuli.
- 639 trabalhadores vinculados a hidrelétricas estão desaparecidos na região mais afetada.
- O resgate é dificultado por mau tempo, lama, destruição de infraestrutura e complexidade dos túneis.
- Especialistas da China, Índia e Coreia do Sul foram convocados para ajudar nas operações de resgate.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- BBC News Brasil imprensa





