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Grandes obras no Himalaia podem aumentar riscos de desastres naturais, dizem especialistas

Em apuração ?

Especialista alerta que usinas hidrelétricas e mudanças climáticas ampliam perigos nas regiões montanhosas entre China e Nepal

Montanhas do Himalaia com geleiras e usina hidrelétrica
Imagem: CNN Brasil

Investimentos em grandes projetos hidrelétricos no Himalaia, combinados ao rápido degelo dos glaciares, podem estar elevando a frequência e intensidade das enchentes que atingem a fronteira entre China e Nepal, afirmam analistas.

As recentes enchentes que devastaram áreas fronteiriças entre China e Nepal trouxeram à tona debates importantes sobre o impacto de grandes obras de infraestrutura realizadas no Himalaia. Segundo o analista de Clima e Meio Ambiente Pedro Côrtes, os projetos atuais, especialmente as usinas hidrelétricas construídas para aproveitar o relevo em altitude, apresentam sérios riscos devido a uma mudança climática não considerada em seu planejamento original.

"Essas obras têm sido planejadas, em geral, para um clima que não existe mais", declarou Côrtes durante o programa CNN Novo Dia, no último dia 31. Ele explicou que o continente vem sofrendo um acelerado processo de degelo: entre as décadas de 1990 e 2020, cerca de 12% da superfície de gelo do Himalaia foi perdida. Com o gelo derretendo em ritmo mais rápido, fragmentos se desprendem com maior frequência e intensidade, fato que pode ser agravado pelas intervenções humanas na região.

Para o especialista, as construções de infraestrutura interferem diretamente no relevo e nas geleiras, o que pode aumentar o risco de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos de terra. "Essas obras podem acentuar essa tendência porque são interferências no relevo e nas próprias geleiras", explicou Côrtes, reforçando a complexidade do cenário ao destacar que os modelos climáticos utilizados no planejamento dos projetos ficaram obsoletos diante das mudanças recentes.

Outro ponto crítico destacado pelo analista é a dificuldade em monitorar adequadamente a região, agravada pela falta de compartilhamento de dados entre os países do Himalaia. Essa falha dificulta a previsão e a prevenção de desastres que envolvem mudanças rápidas no ambiente natural, deixando populações em situação vulnerable.

Até o momento, as informações detalhadas sobre a relação entre as obras e os desastres recentes ainda não foram confirmadas oficialmente por outros especialistas ou órgãos governamentais, sendo divulgadas apenas pela CNN Brasil. O tema envolve questões complexas de meio ambiente, segurança e cooperação internacional, cuja importância só tende a crescer conforme o clima global muda.

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O que sabemos?

  • Grandes obras hidrelétricas estão sendo construídas no Himalaia para aproveitar o relevo acentuado.
  • Clima da região mudou e projetos foram planejados para condições que não existem mais.
  • Entre 1990 e 2020, 12% da superfície de gelo no Himalaia foi perdida, acelerando o degelo.
  • Falta de compartilhamento de informações entre China, Nepal e países vizinhos dificulta monitoramento adequado.

Fontes

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