Mundo

Como o degelo transforma montanhas em armadilhas mortais

Em apuração ?

Deslizamentos no Nepal e na Suíça ressaltam a influência do aquecimento global no colapso de formações rochosas

Montanha desabada em vilarejo cercado por neve
Imagem: G1

Desastres recentes no Himalaia e nos Alpes Suíços mostram que o derretimento do permafrost, camada de solo permanentemente congelada, facilita avalanches e desabamentos devastadores, com consequências sociais e ambientais graves.

O derretimento do permafrost – solo e rocha que permanecem congelados por longos períodos – está mudando radicalmente a estabilidade das montanhas, com impactos que chegam a soterrar vilarejos e deixar milhares de desaparecidos. Nos Alpes Suíços, em 2023, a destruição do vilarejo de Blatten foi consequência direta da perda dessa “cola natural”, que mantinha a formação rochosa intacta. De acordo com o glaciologista Matthias Huss, “o permafrost é o gelo que fica no subsolo. Ele funciona como uma cola, juntando a montanha e as pedras. Com o aquecimento do planeta, essa cola derreteu e a estrutura veio abaixo”. A avalanche de lama que desceu a 200 km/h arrasou em poucos segundos o hotel histórico e casas locais, embora nenhuma vítima tenha sido registrada naquele povoado, graças a um sistema eficiente de monitoramento que antecipou a evacuação.

O cenário no Nepal foi ainda mais grave. Uma avalanche de lama provocada pelo colapso de estruturas similares deixou milhares de desaparecidos na região do Himalaia, arrastando também grandes volumes de água a alta velocidade. Matthias Huss destacou que a dimensão desse desastre “foi de 10 a 20 vezes maior” do que o ocorrido na Suíça, evidenciando o risco ampliado dessas regiões diante do aquecimento global.

O fenômeno ocorre porque o permafrost mantém a coesão interna das montanhas, agindo como uma espécie de cimento natural. Com o aumento das temperaturas na atmosfera, essa camada começa a descongelar, fragilizando a estrutura rochosa. Isso libera imensas quantidades de água e detritos que desabam encostas abaixo, formando avalanches imprevisíveis e devastadoras. As tragédias em Blatten e no Nepal evidenciam como o aquecimento global não afeta apenas as áreas urbanas e costeiras, mas também ecossistemas e comunidades em regiões de alta montanha.

Apesar de a destruição ser imensa – com vilarejos inteiros apagados do mapa, como lamenta o morador Lukas, “prédios a gente reconstrói. O difícil é ver um vilarejo inteiro desaparecer” –, os avanços em sistemas de monitoramento têm sido cruciais para prevenir mortes em contextos como o suíço. Em Blatten, a antecipação do risco permitiu a evacuação antes da queda da montanha, o que não evitou, porém, uma morte registrada em uma comunidade vizinha, mostrando que os perigos continuam presentes mesmo com medidas de precaução.

Esses eventos colocam em evidência a necessidade urgente de políticas e pesquisas focadas no impacto regional do aquecimento global, especialmente para populações que vivem em áreas montanhosas sensíveis. Entender o papel do permafrost e como sua degradação influencia a estabilidade geológica é fundamental para prevenir futuras tragédias e proteger vidas e patrimônios históricos.

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O que sabemos?

  • O derretimento do permafrost fragiliza as estruturas montanhosas e pode provocar desabamentos e avalanches.
  • Em 2023, o vilarejo suíço de Blatten foi soterrado por uma avalanche de lama que desceu a 200 km/h.
  • Nenhuma morte foi registrada em Blatten devido à evacuação precoce, mas houve uma morte em comunidade vizinha.
  • No Nepal, uma avalanche no Himalaia deixou milhares de desaparecidos e o desastre foi até 20 vezes maior que o da Suíça.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pelo G1 sobre a dimensão do desastre no Nepal, aguardando outras fontes.

Fontes

  • G1 imprensa
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