Mãe de baleia jubarte mantém vigilância ao lado do filhote morto por mais de uma hora na Austrália
Comportamento de luto em mamíferos marinhos surpreende especialistas e reacende debates sobre emoções animais
Um relato raro de uma mãe jubarte cuidando do filhote morto evidencia possíveis sinais de luto entre baleias, comportamento pouco compreendido pela ciência.
Em um episódio registrado na costa da Austrália no mês passado, uma baleia jubarte, uma das espécies mais conhecidas por suas migrações e saltos, foi vista permanecendo ao lado de seu filhote recém-nascido morto por mais de uma hora. Segundo fontes da Universidade de Griffith, na Austrália, esse seria o primeiro caso documentado de uma mãe jubarte cuidando de um filhote natimorto, levantando questionamentos sobre as emoções e comportamentos de luto em animais altamente sociais.
O momento foi capturado por um vídeo subaquático, no qual a mãe se aproximou repetidamente do corpo do filhote, tocando-o suavemente com a cabeça e a barbatana peitoral, além de permanecer descansando ao lado dele, com o olhar fixo no cadáver. Segundo a fonte, a cena revela uma reação de cuidado e, possivelmente, de tristeza, comportamento que ainda não é totalmente compreendido pelos cientistas. Ainda não há confirmação oficial de que esse comportamento seja uma resposta emocional de luto, mas a observação reforça que baleias podem apresentar respostas complexas à morte de membros da espécie.
As baleias jubarte, além de suas acrobacias e migrações impressionantes, destacam-se por sua forte estrutura social. Elas costumam defender seus filhotes de predadores como as orcas e permanecem próximas de baleias em perigo, feridas ou emaranhadas em redes, demonstrando uma capacidade de cuidado que vai além do instinto; é uma característica do comportamento epimelético, comum entre cetáceos, que envolve ações de proteção e socorro.
Há registros de comportamentos semelhantes em outras espécies de baleias e golfinhos, como baleias-piloto e orcas, incluindo o famoso caso da orca Tahlequah, que carregou seu filhote morto por 17 dias, percorrendo mais de 1.5 mil quilômetros. Esses exemplos reforçam a hipótese de que o vínculo maternal entre esses mamíferos é extremamente forte, e que esses comportamentos podem refletir emoções complexas, embora os cientistas ainda não compreendam completamente o que esses animais entendem sobre a morte.
Fontes apontam que o estudo sobre o comportamento de baleias de barbas, grupo do qual a jubarte faz parte, ainda é escasso, especialmente quando se trata de comportamentos relacionados à morte. Um dos motivos seria o fato de que recém-nascidos mortos tendem a afundar rapidamente, dificultando as observações desses momentos raros. Assim, o que se sabe hoje é resultado de poucos registros e observações pontuais feitas ao longo dos anos, deixando muitas questões em aberto sobre as emoções dessas criaturas no luto, uma área que ainda precisa ser melhor explorada pela ciência.
O que sabemos?
- Cena foi registrada na Austrália em julho.
- Mãe permanecia ao lado do filhote morto por mais de uma hora.
- É considerado o primeiro caso documentado de uma mãe jubarte cuidando de um filhote natimorto.
- Comportamento de luto em baleias é raro, mas já foi observado em outras espécies.
- Estudos sugerem que esses animais podem experimentar emoções complexas, embora não se saiba exatamente o que eles compreendem sobre a morte.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





