Mudanças climáticas ampliam ondas de calor globais, afetando milhões
Estudo aponta crescimento de tempestades de calor e suas consequências para o planeta
Nova análise revela que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes e extensas, com impacto na agricultura, saúde e sociedade.
Segundo uma pesquisa baseada em dados históricos de temperatura desde 1960, as ondas de calor no planeta estão se multiplicando e cobrindo áreas cada vez maiores. A análise, conduzida por uma agência de notícias com a participação de dezenas de meteorologistas e pesquisadores climáticos, introduz uma nova classificação para esses fenômenos, denominando-os 'tempestades de calor'. Essas tempestades são definidas por uma duração mínima de cinco dias consecutivos e, em seu ápice, abrangem pelo menos 1% da superfície terrestre. Os dados indicam que, enquanto na década de 1960 havia uma média de cinco tempestades de calor por ano, essa quantidade subiu para aproximadamente 102 eventos anuais na atualidade.
Além do aumento na frequência, há uma expansão significativa na área afetada por esses fenômenos. A proporção média da superfície terrestre suscetível a ondas de calor saltou mais de 12 vezes desde os anos 60, acompanhando o crescimento das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, que, segundo os pesquisadores, aumentou mais de 30% no mesmo período. Ainda não há confirmação oficial, mas especialistas também apontam a influência do fenômeno El Niño, que aquece periodicamente as águas do Pacífico equatorial, potencializando ondas de calor extremas. Esses eventos, que anteriormente representavam cerca de 3% dos dias mais quentes em determinada região, agora chegaram a quase 43%, indicando uma mudança drástica na frequência de dias extremos.
Um fator que chamou atenção na investigação foi a duração das 'cascatas de tempestades de calor' — sequências de ondas de calor consecutivas ou simultâneas que podem durar meses. Na década de 1960, essas sequências duravam cerca de dois meses, mas na atualidade já atingiram uma média de nove meses. Uma dessas cascatas, iniciada em 6 de julho de 2008, permanecia ativa na época da publicação da pesquisa, em outubro de 2026, totalizando mais de 18 anos com pelo menos uma tempestade de calor em alguma região do mundo. Este fenômeno tem provocado secas intensas, incêndios e impactos duradouros na produção de alimentos, além de afetar a saúde da população global.
Relatos recentes indicam que a colheita de cacau na Costa do Marfim e Gana, dois dos principais produtores mundiais, reduziu-se à metade após a passagem da tempestade Vera, com prejuízos diretos na renda de agricultores. Ainda segundo os pesquisadores, a exposição frequente a temperaturas elevadas também aumenta os riscos de complicações na gravidez, incluindo natimortos e pré-eclâmpsia, condição que pode colocar em risco a vida da gestante. Como consequência, a mudança no clima se torna um fator preocupante para questões sociais, econômicas e de saúde pública, reforçando a urgência de ações globais de combate às emissões de gases de efeito estufa, enquanto ainda aguardam confirmações oficiais sobre alguns desses dados.
O que sabemos?
- Aumentaram as tempestades de calor no planeta desde os anos 1960.
- A área afetada por ondas de calor cresceu mais de 12 vezes na mesma fase.
- A duração das sequências de ondas de calor agora chega a quase nove meses em alguns casos.
- Tempestades de calor afetaram regiões agrícolas, como Costa do Marfim e Gana, reduzindo colheitas de cacau pela metade.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada




