Análise: Países da região unem forças contra crime organizado com apoio dos EUA, gerando preocupações políticas
Grupo liderado pelos Estados Unidos revela estratégia que pode ampliar influência na América, enquanto combate às facções é pauta principal
Na terça-feira, 22/9, 15 países da América divulgaram um documento conjunto contra facções criminosas como PCC e CV, com apoio dos EUA. Segundo fontes, há receios de uso político da iniciativa.
Na última terça-feira, um grupo de 15 países da região anunciou, por meio de um comunicado conjunto, uma estratégia coordenada para combater organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo informação divulgada por uma fonte próxima ao governo Lula e ouvida em caráter reservado pela BBC News Brasil, a iniciativa, batizada de Escudo das Américas, busca implementar sanções econômicas, controles migratórios e ações de combate financeiro às facções. Contudo, essa mesma fonte alertou que o anúncio pode estar sendo utilizado pelos Estados Unidos como uma espécie de "cavalo de Troia", para ampliar sua influência no continente ao incluir temas como infraestrutura digital, cooperação econômica e acesso a minerais críticos.
O comunicado, divulgado na tarde de 22/9, também afirma que os países signatários vão consultar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a possível reativação do Tratado Interamericano de Assistência Mútua (Tiar), criado em 1948 durante a Guerra Fria, que estabelecia uma solidariedade de defesa do continente frente a ameaças externas. Ainda segundo a fonte, essa postura poderia facilitar a implementação de medidas sob a lógica da segurança nacional de cada país, incluindo a possibilidade de ações militares em caso de necessidade, uma hipótese considerada preocupante por analistas.
Essa estratégia ocorre num momento em que o ex-presidente Donald Trump manifestou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, disposição de usar o poder militar dos EUA para defender seus interesses na América Latina. Ele declarou que as ações dos Estados Unidos no país vizinho Venezuela, incluindo a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, são exemplos de que o país não tolerará ameaças à sua segurança na região. Segundo Trump, a intervenção militar dos EUA será usada "se necessário, para assegurar os interesses vitais dos Estados Unidos". Ainda na mesma semana, o comunicado do Escudo das Américas reforçou o compromisso dos países de congelar ativos criminosos, reforçar medidas migratórias e coibir o suporte financeiro às facções.
Apesar de o foco oficial ser o combate ao crime organizado, há quem suspeite que a iniciativa também tenha uma conotação de fortalecimento da influência norte-americana na região, podendo justificar ações mais agressivas sob o pretexto de segurança. Especialistas ouvidos pela BBC ainda não confirmam oficialmente se esse movimento será efetivamente usado para justificar intervenções ou se ficará apenas na cooperação anticrime, mas as declarações de lideranças internacionais deixam claro que o tema é delicado e de grande impacto político e geopolítico na área.
O que sabemos?
- Grupo de 15 países anunciou estratégia conjunta contra facções criminosas na América.
- Comunicado referido ao combate ao PCC e ao CV, além de sanções econômicas e controles migratórios.
- Estados Unidos apoiaram iniciativa e manifestaram disposição de usar força militar se necessário.
- Houve menção à possível reativação do Tratado de Assistência Mútua (Tiar), mecanismo de defesa regional.
- Analistas sugerem que o movimento pode ter intenções de ampliar influência política na região.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa




