Futebol

Relatório revela dificuldades financeiras e de saúde mental como principais motivos para o quase abandono do futebol feminino

Em apuração ?

Dados mostram que quase metade das jogadoras considera sair do esporte devido a problemas econômicos e psicológicos

Jogadora de futebol comemorando em campo
Imagem: CNN Brasil

Segundo um estudo global, 49% das jogadoras de futebol pensam em parar cedo, principalmente por questões financeiras e de saúde mental, evidenciando desigualdades crescentes no setor.

Um relatório divulgado pela FIFPRO, sindicato mundial de jogadores, trouxe uma visão alarmante sobre as condições do futebol feminino no mundo, revelando que quase metade das jogadoras entrevistadas considera abandonar a carreira antes do planejado. Segundo o estudo, realizado com 800 jogadoras de diversos países e divulgado na última semana, as maiores pressões que levam ao abandono precoce do esporte estão relacionadas à instabilidade financeira e ao estresse psicológico.

De acordo com a análise, cerca de 49% das jogadoras entrevistadas manifestaram intenção de deixar o futebol em curto prazo. Entre essas, 59% citaram a situação financeira como principal fator, enquanto 46% apontaram questões de saúde mental. A diretora de Futebol Feminino da FIFPRO, Alex Culvin, afirmou que, embora a indústria do futebol feminino tenha avançado considerablemente, ainda há um longo caminho a percorrer. Ela comentou: "Para 95% das jogadoras, que representam o restante do setor, as melhorias ainda são pontuais e o setor permanece fragmentado".

O estudo também revelou que, embora a média salarial mensal das jogadoras tenha triplicado desde 2017, alcançando US$ 2.601 (cerca de R$ 13 mil), a mediana permanece em US$ 1.669 (aproximadamente R$ 8.300). Esses números demonstram uma disparidade significativa, especialmente em países do Leste Europeu, onde os salários continuam abaixo do salário mínimo nacional. Mesmo em regiões com grande mercado, como a Europa Ocidental e a Ásia/Oceania, os salários ainda não ultrapassam de forma relevante o base estabelecido pelo mínimo legal, segundo o relatório.

Além da questão salarial, o documento aponta outras fragilidades nas condições de trabalho, como contratos de duração média de apenas 19 meses, aumento superficial em comparação aos 12 meses de 2017. Ainda assim, apenas 56% das jogadoras possuem contrato formal, e somente 13% recebem contribuição previdenciária do clube. Outro aspecto destacado foi que 47% das jogadores afirmaram que seus clubes não contam com uma equipe suficientemente estruturada para suprir suas necessidades. A disparidade de condições também se manifesta na prática diária, com várias jogadoras sendo submetidas a altos níveis de cobrança sem ambientes de trabalho adequados.

Um tema que ganhou destaque foi a saúde mental: 57% das jogadoras relataram ter enfrentado problemas relacionados ao estresse psicológico. Segundo a fonte, esse dado reforça a necessidade de uma atenção maior às condições físicas e emocionais das atletas, especialmente em um cenário de crescimento econômico e de aumento de receitas, que, até o momento, não têm se traduzido em melhorias iguais para todas as jogadoras. O relatório, portanto, evidencia a urgência de uma distribuição mais justa dos benefícios do esporte, além de apontar para a precariedade de muitas das atletas, que vivem sob constante pressão de atender expectativas profissionais e financeiras muitas vezes pouco realistas.

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O que sabemos?

  • Quase 49% das jogadoras de futebol considera abandonar o esporte precocemente.
  • 45% apontam questões financeiras como principal motivo para pensar em deixar o esporte.
  • 46% relataram problemas de saúde mental.
  • Salário médio ajustado pela inflação aumentou de 2017, chegando a US$ 2.601, mas a mediana é de US$ 1.669.
  • A condição de trabalho varia muito, com apenas 56% das atletas com contrato formal e 13% com contribuição previdenciária.

Fontes

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