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Golfinho na Austrália exibe comportamento inédito ao vomitar e comer peixe regurgitado

Em apuração ?

Pesquisadores observam uma estratégia incomum de alimentação entre cetáceos no mar australiano

Golfinho perseguindo peixe na costa da Austrália, imagem de registro do estudo
Imagem: Superinteressante

Um golfinho na costa da Austrália foi filmado usando uma técnica que envolve perseguir, induzir o peixe a vomitar e então consumir o vômito. Segundo estudo divulgado, essa pode ser uma nova forma de roubo de alimento entre golfinhos, conhecida como cleptoparasitismo.

Um comportamento inusitado de um golfinho na costa da Austrália chamou a atenção de biólogos marinhos. Segundo informações de uma pesquisa publicada no periódico Ecology and Evolution, um golfinho, apelidado de Bubbles, foi registrado usando uma técnica inédita para obter alimento, envolvendo a indução do peixe a vomitar e, logo depois, consumindo o vômito. Este comportamento, ainda não confirmado oficialmente como comum na espécie, representa uma possível forma de cleptoparasitismo, ou seja, roubo de alimento, que raramente é documentada entre cetáceos.

De acordo com o estudo, que foi realizado entre junho de 2021 e outubro de 2025 por uma equipe de biólogos marinhos, o golfinho se aproxima de cardumes de xaréus-olhudos (Caranx sexfasciatus), uma espécie de peixe comum na região. A partir das gravações feitas com câmeras GoPro, foi possível observar que o animal analisa o grupo de peixes antes de escolher uma vítima. Depois de se aproximar, o golfinho utiliza vocalizações específicas — como sons de clique —, que parecem facilitar a ecolocalização, permitindo distinguir detalhes do peixe, inclusive seu estado de barriga cheia ou vazia. Segundo Asia Armstrong, coordenadora do estudo, esses sons podem também ajudar a provocar o vômito nos peixes, embora essa hipótese ainda precise de confirmação.

O comportamento se repete com insistência. Os pesquisadores registraram cerca de 20 episódios, dos quais o golfinho conseguiu fazer o peixe vomitar em 11 tentativas. Durante a perseguição, houve até dez tentativas em meia hora, indicando alta persistência por parte do animal. Ao fazer o peixe vomitar, o golfinho se aproveita do momento em que a presa expulsa o alimento para rapidamente abocanhar a comida regurgitada. A equipe ainda destacou que, nesse período, o golfinho também emitiu sons em frequências baixas, que podem tanto ajudar na localização do peixe quanto na indução do vômito.

Segundo a pesquisadora, é possível que outros golfinhos ou espécies de cetáceos também utilizem esta estratégia pouco convencional, uma demonstração da inteligência e capacidade de adaptação desses animais. Ainda não se sabe se o comportamento de Bubbles é uma excentricidade isolada ou algo que ele aprendeu com outros membros de sua espécie ou mesmo com baleias. Como o estudo ainda está em andamento, diversas hipóteses permanecem em aberto, inclusive a de que esses sons e ações possam servir a funções além da captura, como aspectos de comunicação ou manipulação de presas.

O achado reforça a complexidade do mundo marinho e a diversidade de estratégias alimentares que esses animais desenvolvem ao longo de sua evolução. Apesar de os cientistas aguardarem confirmações adicionais, o caso reforça a ideia de que os golfinhos são criaturas altamente inteligentes, capazes de aprender e transmitir comportamentos entre si, ampliando ainda mais o entendimento sobre suas estratégias de sobrevivência no oceano.

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O que sabemos?

  • Golfinho na Austrália foi filmado induzindo peixes a vomitar e comendo o vômito
  • Registro foi feito por câmeras entre 2021 e 2025
  • Comportamento semelhante a cleptoparasitismo, pouco documentado em cetáceos
  • Golfinho tentou até dez vezes para fazer um peixe vomitar em meia hora

Fontes

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