Tesouro romano de moedas e anel é descoberto em fazenda na Suécia, fora das fronteiras do Império
Arqueólogos encontram símbolos de comércio internacional de 1500 anos atrás na ilha de Gotland
Uma equipe de arqueólogos revelou um conjunto de moedas romanas e um anel de ouro datados do século V, enterrados em uma fazenda na ilha sueca de Gotland. A descoberta aponta para a circulação de objetos de valor do Império Romano em regiões muito além de suas fronteiras.
Arqueólogos que atuam na ilha sueca de Gotland fizeram uma descoberta que intriga estudiosos e entusiastas de história antiga: um tesouro contendo moedas romanas e um anel de ouro foi encontrado enterrado em uma antiga fazenda na região de Tofta. A revelação foi anunciada pelo Gotland Museum, que ressalta a importância do achado para entender a abrangência do comércio e circulação de bens durante o declínio do Império Romano.
Segundo informações fornecidas pelos pesquisadores, o conjunto de moedas consiste em 45 denários, cunhados entre os anos 98 e 192, abrangendo quase um século de circulação. As moedas representam cinco imperadores — Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo — além de figuras femininas importantes da elite romana, como imperatrizes Sabina, Faustina I, Faustina II e Lucila. Apesar das moedas mais recentes terem sido cunhadas no final do segunda século, especialistas acreditam que elas permaneciam em circulação na Europa meridional por um período considerável antes de chegarem ao Norte da Europa.
O que chama atenção dos arqueólogos é que essas moedas, além de antigas, parecem ter sido utilizadas na região da Escandinávia por volta do século IV ou V. Segundo Lennart Lind, especialista consultado pelo Museu de Gotland, elas provavelmente chegaram à ilha através do comércio durante o século IV e continuaram a ser manipuladas nas trocas locais até o século V, décadas após sua caça. O anel de ouro, encontrado ao lado do depósito de moedas, tem um design típico do século V e ajudou a datar o momento em que o tesouro foi escondido, por volta de 450 d.C. Isso indica que o objeto foi enterrado com mais de 250 anos de idade no momento do sepultamento.
A equipe de arqueólogos, composta pelo Museu de Gotland e uma empresa local chamada Arendus, encontrou também um depósito de prata ao lado das moedas, que foi descrito como um “tesouro de prata” pelo arqueólogo Per Widerström. A área do achado, próxima ao antigo campo de tiro de Tofta, passou por escavações após investigações preliminares feitas com detectores de metais, incluindo a colaboração do pessoal das Forças Armadas Suecas. A análise de radiocarbono realizada em ossos encontrados na mesma área sustentou a hipótese de que o complexo estava ativo no século V, reforçando a hipótese de que o depósito foi ocultado naquela época.
Ainda não há informações concretas sobre o motivo pelo qual o tesouro foi enterrado ou se havia a intenção de recuperá-lo posteriormente, o que permanece um mistério para os pesquisadores. Segundo o arqueólogo Per Widerström, a localização do depósito deixa claro o valor que esses objetos tinham na época do seu uso e ocultação. Ainda assim, a descoberta reforça uma antiga conexão de regiões longínquas ao Império Romano, demonstrando que artefatos de grande valor circulavam por rotas de comércio que cruzavam o continente europeu e atingiam o Norte, mesmo após o declínio do domínio imperial.
O que sabemos?
- A coleção inclui 45 denários cunhados entre 98 e 192 d.C.
- Moedas representam cinco imperadores romanos e quatro imperatrizes.
- O tesouro foi enterrado por volta do ano 450 d.C.
- Anel de ouro ajudou a datar o depósito, que tem mais de 250 anos de idade na hora de ser ocultado.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




