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Simulações revelam padrões de resiliência de civilizações ao longo do tempo

Em apuração ?

Estudo sugere que culturas tecnológicas podem passar por ciclos de crescimento e colapso múltiplas vezes

Representação ilustrativa de civilizações passando por ciclos de atividade.
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores desenvolveram um modelo que indica como civilizações podem sobreviver a crises, com possibilidades de recuperação e períodos de dormência tecnológica.

Um estudo inovador feito por Celia Blanco e colegas trouxe novas perspectivas sobre o que poderia salvar uma civilização do seu eventual colapso. A análise, que utilizou 200 simulações para cada cenário, buscou entender o paradoxo de Fermi — a questão de por que ainda não detectamos sinais de outras civilizações inteligentes no Universo, mesmo após bilhões de anos de exploração espacial.

Segundo a pesquisa, as civilizações tecnológicas podem não seguir uma trajetória linear de desenvolvimento até a conquista espacial ou extinção total. Em vez disso, elas poderiam passar por ciclos de crescimento, colapso e recuperação, permanecendo longos períodos em uma espécie de sono tecnológico, o que dificultaria sua detecção pelos nossos instrumentos. As simulações consideraram riscos aleatórios, como desastres ambientais e falhas tecnológicas, que poderiam levar ao colapso, mas também permitiram cenários em que sociedades se recuperavam, dependendo da quantidade de recursos restantes e da velocidade de reconstrução.

Na análise, o conceito de “ciclo de atividade” foi criado para indicar o tempo em que uma civilização se mantém tecnologicamente ativa. O estudo revelou que esse ciclo varia bastante: enquanto alguns cenários mostraram uma atividade contínua de quase 100%, outros apresentaram períodos de apenas 38%. Dois cenários criados pelos pesquisadores, chamados de “Golden Age” e “Out of Eden”, não apresentaram colapsos em nenhuma das simulações realizadas. Já outros, como o “Living with the Land”, tiveram ciclos which de apenas 38%, enquanto o “Ouroboros”, que alterna entre colapso e reconstrução, manteve um ciclo de atividade de 87%.

Outro ponto importante é que essa dinâmica mais fluida sugere que civilizações podem não evoluir necessariamente de forma sequencial, do estágio proto-tecnológico até uma civilização espacial. Ao contrário, elas podem experimentar fases de fortalecimento e regressão, como uma chama que pulsa ao longo do tempo. Essas descobertas também têm impacto na busca por vida extraterrestre. Os pesquisadores introduziram o conceito de “duração efetiva de detectabilidade”, que ajusta a janela de observação de uma civilização com base na sua atividade tecnológica, levando em conta que períodos de dormência dificultam essa detecção. Assim, uma civilização que só produz sinais detectáveis por 40% do seu tempo total de existência teria uma janela de observação bem menor, dificultando sua descoberta e possivelmente explicando por que ainda não encontramos sinais de outras civilizações no Universo.

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O que sabemos?

  • Civilizações podem passar por ciclos de crescimento, colapso e recuperação.
  • Simulações indicam que alguns cenários nunca apresentam colapsos, enquanto outros colapsam em todas as tentativas.
  • Períodos de dormência tecnológica podem dificultar a detecção de civilizações extraterrestres.
  • A janela de detectabilidade de uma civilização depende de quanto tempo ela permanece tecnológicamente ativa.

Fontes

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