Influenciadoras que pregam submissão aos maridos também gerenciam impérios multimilionários, aponta livro
Autora destaca contradição entre imagem online e realidade financeira das tradwives
Caro Claire Burke, autora de bestseller, revela a ironia das influenciadoras que se apresentam como submissas enquanto administram grandes negócios.
Uma análise recente feita pela autora Caro Claire Burke traz à tona uma importante contradição no mundo das redes sociais: influenciadoras que se apresentam como tradwives, ou esposas tradicionais submissas, muitas vezes são as mesmas que comandam impérios multimilionários nos bastidores. Segundo Burke, essa disparidade entre a imagem que elas projetam em frente às câmeras e a realidade financeira que vivem é uma grande ironia que reflete o fenômeno das influenciadoras que promovem papéis tradicionais de gênero, focando na submissão e nos cuidados domésticos, enquanto lucram milhões com suas plataformas digitais.
O ponto central dessa discussão surge do livro 'Bons Tempos: Yesteryear', sucesso de vendas na Europa e nos Estados Unidos, que recentemente foi lançado no Brasil pela Editora Rocco. A obra de ficção narra a história de Natalie, uma influenciadora de 32 anos que se declara tradwife. Casada, mãe de cinco filhos e à espera do sexto, ela compartilha nas redes sociais a rotina idílica de sua família numa fazenda de 200 hectares no Estado americano de Idaho. Ainda que em suas postagens ela retrate uma vida de submissão aos papéis tradicionais, Burke aponta que, na prática, Natalie e outras influenciadoras similares possuem uma atuação financeira bastante robusta. "Existe uma certa ironia aí, porque essas mulheres que fingem submissão e que não saem de casa muitas vezes são as provedoras de seus lares, muitas vezes administrando impérios multimilionários", disse a autora em entrevista à BBC Radio 2.
Burke explica que muitas dessas influenciadoras se dedicam a colocar em prática ideias de papéis tradicionais, promovendo submissão, maternidade e cuidado com o lar, enquanto, na realidade, muitas delas conseguem ganhar uma quantia expressiva de dinheiro, o que, por sua vez, reforça uma contradição marcada por uma forte valorização do machismo e do protagonismo feminino. Ainda não há confirmação oficial sobre o impacto financeiro exato dessas figuras, mas o contraste entre suas postagens e suas vidas profissionais chama atenção. Segundo a autora, essas influenciadoras online representam uma interseção importante em debates mais amplos sobre o papel das mulheres na sociedade, na cultura, na economia e na maternidade.
Ao ser questionada sobre sua inspiração para escrever a obra, Burke revelou que passou horas estudando e pesquisando redes sociais, mas que não se baseou em uma pessoa específica. A autora ainda comentou que, embora reconheça que há uma liberdade na forma como cada mulher escolhe se definir, o fato de que muitas se autopromovem como submissas enquanto administram fortunas é um tema interessante para reflexão, especialmente no contexto de uma sátira sombria a que ela própria atribui o livro. Burke admite que, muitas vezes, a narrativa foi construída de forma instintiva, combinando humor com um certo medo de refletir sobre a realidade dessas figuras públicas.
Segundo ela, a personagem principal, Natalie, simboliza uma interrogação sobre os papéis tradicionais e a performatividade das redes sociais, que se tornaram um palco onde muitas mulheres, na busca por popularidade, representam um ideal que nem sempre condiz com a sua verdadeira vida financeira ou pessoal. Ainda não há confirmação de que esse fenômeno seja universal ou de que todas as influenciadoras tradwives sejam também grandes empresárias, mas o tema certamente representa uma faceta controversa da atual cultura digital, despertando debates sobre autenticidade, poder e percepção pública.
O que sabemos?
- Influenciadoras tradwives promovem submissão enquanto administram impérios multimilionários.
- Livro 'Bons Tempos: Yesteryear' narra a história de uma influenciadora tradwife de Idaho.
- Autor(a) do livro destaca contradições entre imagem pública e realidade financeira.
- Fenômeno é tema de discussão sobre performatividade e papéis tradicionais.
- Ainda não há confirmação oficial do impacto financeiro dessas influenciadoras.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa




