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Indris de Madagascar ajustam a boca ao cantar, revelando habilidade vocal semelhante à de cantores de ópera

Em apuração ?

Estudo aponta que primatas podem modificar o formato da boca para ampliar alcance de suas vozes na densa floresta tropical

Indri, lêmure de Madagascar, ajustando a boca enquanto canta na floresta tropical.
Imagem: CNN Brasil

Nova pesquisa revela que os indris, únicos lêmures que cantam em Madagascar, ajustam a boca ao atingir notas agudas, método que aumenta o alcance de suas vocalizações.

Uma descoberta surpreendente feita por pesquisadores de várias universidades revelou que os indris, um tipo de lêmure muito ameaçado de extinção, ajustam o formato da boca ao cantar notas mais agudas. Essa técnica, similar à utilizada por cantores de ópera para amplificar o som, foi identificada por meio de análises detalhadas de gravações feitas na floresta de Madagascar.

Durante o estudo, os cientistas analisaram 83 registros de 19 indris selvagens na área de Maromizaha e na reserva de Mitsinjo. Segundo a fonte, a principal autora do trabalho, Chiara De Gregorio, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, explicou que os primatas abrem mais a boca ao produzir sons mais agudos. Isso, de acordo com ela, representa um ajuste de formantes — a ressonância de um tubo de ar, que no caso do animal, é a boca e a garganta.

O pesquisador Filippo Carugati, da Universidade de Turim, na Itália, destacou que essa mudança no formato do corpo do animal aumenta a potência e o alcance de suas vocalizações, algo semelhante ao que acontece com cantores treinados. Ele explica que “quando você abre mais a boca, altera o formato do tubo de ressonância, mudando as frequências com as quais ressoa”, reforçando que essa técnica é fundamental na comunicação desses primatas na floresta densa, onde a visibilidade é limitada.

As canções dos indris são longas, com notas altas e ascendentes ou descendentes, que podem soar melancólicas ao ouvido humano. Ainda assim, elas desempenham papel vital na organização social e territorial do grupo, atuando como um aviso de presença na natureza, uma espécie de marca sonora que evita confrontos diretos. Os estudos indicam que esses cantos se tornam mais intensos e prolongados quando os animais avistam outros grupos, sugerindo uma ação combinada de reconhecimento visual e vocal.

A importância da pesquisa vai além da simples caracterização vocal. Segundo as fontes, os indris representam uma espécie criticamente ameaçada na natureza, especialmente por causa da perda de habitat na ilha de Madagascar. A descoberta do ajuste na boca ao cantar lançou luz sobre uma habilidade vocal complexa, que antes se acreditava exclusiva dos humanos e de cantores treinados. Ainda não há confirmação oficial se outros animais também usam técnicas similares, mas a possibilidade de mais estudos abrir novas frentes na zoologia e na compreensão da comunicação animal é real.

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O que sabemos?

  • Indris ajustam a boca ao atingir notas agudas, aumentando o alcance de suas vozes.
  • A técnica é semelhante à usada por cantores de ópera para ampliar o som.
  • Estudo analisou 83 gravações de 19 indris na floresta de Madagascar.
  • A pesquisa indica que essa habilidade é importante para a comunicação e defesa territorial.
  • Indris são primatas ameaçados de extinção, exclusivos de Madagascar.

Fontes

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