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Expectativa de decisão rápida nas eleições presidenciais gera debates entre especialistas

Em apuração ?

Candidatos à presidência afirmam que podem vencer já no primeiro turno, enquanto análises indicam cenário mais provável de segundo turno.

Expectativa de decisão rápida nas eleições presidenciais gera debates entre especialistas
Imagem: BBC News Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro têm lançado declarações otimistas sobre a possibilidade de vitória no primeiro turno das eleições de domingo, mas especialistas divergem sobre as chances reais dessa definição.

Na reta final do calendário eleitoral brasileiro, uma atmosfera de expectativa se mistura à dúvida entre candidatos e analistas sobre a possibilidade de uma decisão antecipada nas eleições presidenciais. Segundo informações divulgadas pela BBC News Brasil, tanto Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, quanto Flávio Bolsonaro, do PL, têm reiterado publicamente a esperança de vencer já no próximo domingo, dia do pleito. Lula, que optou por não participar do debate previsto pela TV Globo e concedeu entrevista ao podcast Flow, declarou que "sinceramente acho que vou ganhar as eleições em primeiro turno. Acho que as eleições vão ser definidas domingo". Ainda na mesma linha, ele afirmou ter "uma leve impressão de que não haverá segundo turno". Em uma postura semelhante, Flávio Bolsonaro também afirmou que está em uma "contagem regressiva" para vencer, assegurando: "Eu não vou perder essa eleição. Vou ganhar no primeiro turno", durante entrevista à TV Globo em 28 de setembro, e reforçou sua mensagem em uma live, onde pediu votos úteis e declarou que a candidatura dele é a única capaz de superar Lula em votos no próximo domingo.

Para entender o contexto, é importante destacar que, para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos — ou seja, excluídos brancos, nulos e indecisos. Historicamente, essa conquista foi alcançada apenas por Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, na redemocratização. Segundo uma pesquisa Datafolha recente, Lula soma 45% das intenções de voto em votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro, enquanto candidatos menores, como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, apresentam percentuais entre 1% e 3%. Ainda há 8% de eleitores indecisos, o que mantém o cenário de disputa equilibrado e incerto. Um levantamento do agregador de pesquisas da BBC News Brasil, realizado em parceria com a consultoria Polling Data, aponta Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 39% das intenções de voto, reforçando a proximidade entre os candidatos à véspera das eleições. Nesse contexto, especialistas ouvidos pelo veículo divergem quanto à possibilidade de uma decisão imediata, indicando que, embora as últimas pesquisas sugiram uma campanha acirrada, a maioria acredita que o cenário mais provável seja um segundo turno, levando em conta fatores como a abstenção, o movimento dos candidatos menores e o pouco entusiasmo do eleitorado.

O cientista político Hilton Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, explicou que, mesmo com as pesquisas atuais indicando uma disputa equilibrada, a tendência é que o eleitorado ainda possa optar por uma segunda rodada, devido às variáveis da campanha e ao comportamento do voto útil — estratégia onde o eleitor decide votar no candidato com maior chance de vencer, muitas vezes para evitar um empate ou a eleição de um candidato indesejado. Fernandes destacou que, embora seja uma possibilidade preocupante para os candidatos que sonham com o primeiro turno, ela ainda não foi descartada oficialmente, e que a decisão só será conhecida após a consolidação dos votos na próxima semana.

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