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Beatriz Sarlo destaca o valor de não entender na jornada intelectual

Em apuração ?

A memória de uma história marcada por questionamentos e descobertas

Imagem de Beatriz Sarlo sorrindo, com livros ao fundo.
Imagem: Folha de S.Paulo

A historiadora e jornalista argentina explora no seu novo livro a importância de aceitar a dúvida como parte do crescimento intelectual.

Em seu mais recente livro, a renomada historiadora e jornalista argentina Beatriz Sarlo reflete sobre uma ideia que desafia a lógica comum de que compreender é a meta final do aprendizado: ela valoriza a arte de 'não entender'. Segundo a própria Sarlo, essa experiência de não compreender foi a primeira e mais duradoura que marcou sua trajetória intelectual, e ela acredita que esse reconhecimento é fundamental para quem busca avanço e questionamento constante.

De acordo com Sarlo, a tolerância à dúvida constitui um ponto de partida para qualquer investigação aprofundada. Em entrevista, ela explica que 'não entender' não é uma desistência, mas uma etapa do processo de questionamento. Para ela, essa fase inicial de confusão ou ignorância é essencial para que o conhecimento se construa de modo verdadeiro. Ainda segundo a escritora, suas tentativas frustradas de ler obras complexas, como 'Dom Quixote', não foram motivo de frustração, mas sim de aprendizado, consolidando a ideia de que a dúvida é uma companhia necessária na busca por entendimento.

Ao narrar sua infância, Sarlo relembra um Natal em que recusou abrir presentes, incluindo uma casa de bonecas que ela já tinha visto na loja Harrods, de Londres. Segundo ela, presentes 'femininos' eram uma forma dos adultos tentarem moldar suas preferências, e ela destaca que aquilo foi uma espécie de 'gesto pedagógico'. Essa recusa consciente, afirma, ajudou a consolidar sua postura de pensar por si mesma, sem se prender às expectativas de uma sociedade que tentava direcionar seus interesses. Ao longo da vida, Sarlo passou por diferentes espectros políticos na Argentina, do peronismo ao marxismo-leninismo, até se definir como social-democrata, mas ela destaca que prefere não estruturar suas memórias por esses rótulos, concentrando-se na formação de sua curiosidade e na construção de sua identidade intelectual.

Outro destaque do livro é o amor por Buenos Aires, cidade que Sarlo percorreu como leitora, professora e pesquisadora, chegando a afirmar que adorava a cidade antes de entender o quanto era possível amar uma cidade com a mesma intensidade de um amor humano. Ela também conta como o livro 'O Capital', de Karl Marx, foi uma leitura intensa na sua juventude e como conseguiu salvá-lo de ataques de sua mãe, que não compreendia o fascínio da filha pelos livros. Ainda segundo ela, esse episódio demonstra a importância de cultivar o desejo pelo desconhecido e de aceitar a dúvida como parte do processo de formação de uma pessoa crítica e questionadora.

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O que sabemos?

  • Beatriz Sarlo escreveu um livro sobre sua experiência de não entender como uma forma de crescimento intelectual.
  • Ela credita à dúvida um papel fundamental na sua formação e no seu modo de pensar.
  • A autora relembra episódios de sua infância e juventude que reforçam sua postura de questionamento.
  • Sarol insiste que aceitar a dúvida é perceber que há sempre algo a aprender, nunca uma resposta definitiva.

Fontes

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