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Vozes do melodrama continuam predominantes na televisão brasileira e nas séries modernas

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O uso do exagero emocional mantém-se como recurso indispensável na narrativa atual

Vozes do melodrama continuam predominantes na televisão brasileira e nas séries modernas
Imagem: Folha de S.Paulo

Apesar do avanço de enfoques realistas, o melodrama permanece forte na produção de novelas e séries, evoluindo de acordo com o tempo e as plataformas.

O tradicional melodrama, marcado por histórias carregadas de emoções intensas e reviravoltas dramáticas, ainda ocupa um lugar central na teledramaturgia brasileira, mesmo após mais de quatro décadas do seu auge. Segundo uma análise de uma fonte especializada, o gênero, que nasceu nas telenovelas mexicanas do rádio, consolidou-se como um recurso quase obrigatório para autores que desejam engajar o público com histórias emocionais, muitas vezes mirabolantes ou exageradas. É comum ainda nos dias atuais que novelas, especialmente na Globo, recorram ao melodrama, mesmo que os autores tenham a intenção de dar um tom mais realista às tramas.

Um exemplo clássico dessa postura foi a polêmica durante a produção de uma novela de 1978, onde um dos autores, Dias Gomes, quis que uma personagem líder operária tivesse um caso amoroso, algo considerado pouco verossímil por seu parceiro na época, Ferreira Gullar. A então esposa de Dias, Janete Clair, teria aconselhado que essa história fosse exagerada, dizendo: "Não é plausível, mas ia ser lindo" e que a personagem deveria ficar grávida, pois o público certamente iria se encantar com a situação. Essa convivência entre o realismo e o melodrama mostra como o gênero sempre esteve ligado ao imaginário popular e à necessidade de provocar emoções fortes.

Embora nos últimos anos o foco de muitas produções tenha sido pautado por temas mais progressistas e realistas, há uma percepção de que o melodrama continua sendo uma ferramenta essencial na narrativa televisiva. Uma análise de autores e estudiosos da área indica que o exagero emocional funciona como um elemento que distingue a novela do cotidiano, tornando-a uma forma de entretenimento que precisa fugir da rotina. Uma fonte, por exemplo, afirma que "a novela é o antirracional", reforçando a ideia de que o exagero faz parte da sua essência.

Além das telinhas tradicionais, o melodrama também invadiu plataformas de streaming, com séries que incorporam elementos do gênero. Segundo Rosane Svartman, uma especialista nesse campo, os seriados contemporâneos estão repletos de ingredientes melodramáticos, e ela acredita que essa linguagem está vivendo seu auge, mostrando-se mais viva e versátil do que nunca. Séries como "Pedaço de Mim", na Netflix, e "Beleza Fatal", na HBO Max, exemplificam essa tendência com narrativas emocionalmente carregadas e reviravoltas exageradas. Ainda não há confirmações oficiais se esse movimento representa uma mudança definitiva, mas a sensação é de que o melodrama se adaptou às novas plataformas com sucesso.

Para ilustrar essa influência, uma série recente na Netflix, intitulada "Habeas Corpus", dirigida por Luiz Villaça, tenta abordar uma revisão criminal de forma dramática, mas acaba recorrendo a um enredo exagerado e confuso, trazendo a atriz Marjorie Estiano em uma personagem que às vezes se mostra às vezes difícil de acompanhar na sua carga emocional. Segundo um crítico, a produção entra na onda do melodrama, usando recursos que podem parecer pouco elaborados ou excessivos, ainda que isso faça parte do estilo.

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