Filme canadense em Mostra de SP revela personagem que ajuda a morrer em cenário distópico
Obra de Denis Côté aborda temas de solidão, alienação e questões humanas em uma narrativa que mistura ficção e experiências pessoais do diretor
Na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme 'A Violência de Ninguém' apresenta uma mulher que auxilia na morte de pessoas à beira do fim, em um Canadá distópico e silencioso. Baseado na experiência de quase morte do cineasta Denis Côté, a produção questiona questões existenciais e o isolamento humano.
Durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um filme chamou atenção por seu tema sensível e pela atmosfera sombria que constrói. Intitulado 'A Violência de Ninguém', a obra é do cineasta canadense Denis Côté, conhecido por explorar personagens isolados e controversos em seus filmes. Segundo a própria produção, o longa nasce de uma experiência de quase morte vivida por Côté, quando ele passou por um transplante de rim após lutar contra uma doença degenerativa. Ainda não confirmado oficialmente, essa vivência pessoal parece influenciar o enredo, que retrata uma mulher solitária em um Canadá distópico, ajudando pessoas a morrerem na despedida final, acompanhada apenas por um cachorro fiel.
De acordo com uma fonte ainda não oficial, a personagem principal de 'A Violência de Ninguém' vaga por um cenário desolador, distante de qualquer conformidade social. Segundo a descrição, ela realiza seu trabalho de forma automática e sem dificuldades, indicando uma rotina ininterrupta em um ambiente que parece refletir uma sociedade decadente ou abandonada. O filme dura 117 minutos e apresenta uma narrativa que mistura imagens de sonhos, impulsos e diálogos estranhos, criando uma atmosfera de mistério e reflexão sobre o fim da existência e o papel da compaixão nesses momentos finais.
Denis Côté, que também conheceu o exílio em seus trabalhos anteriores, costuma explorar em suas obras temas de exílio, excentricidade e o elo entre humanos e animais. São exemplos os filmes 'Estados à Deriva', que retrata a experiência de um homem com a morte assistida, e 'Curling', envolvendo um pai hiperprotetor em um cenário de mistério e cadáveres bizarros. Sua obra mais recente, que inclui 'A Violência de Ninguém', busca provocar a curiosidade dos espectadores e desafiar as formas tradicionais de narrar histórias, focando na atmosfera e nos aspectos sensoriais do que no roteiro convencional.
Segundo as informações disponíveis, Côté gosta de brincar com formas do cinema, sobrepor imagens para representar sonhos e trabalhar com elementos visuais que elevem o mistério e a sensação de inquietação. Além disso, ele revelou uma preferência por filmes cujo objetivo é gerar uma experiência sensorial e emocional, mais do que uma narrativa linear ou explicativa. Para ele, o cinema é uma arte de mistério, uma forma de projetar o espectador em direção ao desconhecido — um conceito que fica bem evidente na composição de 'A Violência de Ninguém', cujo enredo e estética convidam à reflexão sobre a mortalidade, o isolamento social e os limites humanos. Ainda não há confirmação de que o filme vá chegar ao circuito comercial, mas a sua exibição na Mostra já despertou muitas discussões sobre temas delicados abordados com sensibilidade e abstração.
O que sabemos?
- Filme 'A Violência de Ninguém' está na 50ª Mostra de SP.
- Obra foi criada após o diretor Denis Côté passar por um transplante de rim.
- Narrativa mostra uma mulher ajudando outros a morrer em um cenário distópico.
- Filme dura 117 minutos e foca em atmosferas e sensações.
- Côté é conhecido por explorar personagens isolados e temas controversos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





