Documentário revela imagens inéditas da União Soviética dos anos 1970
Filmes filmados por cineastas italianos trazem retratos pouco conhecidos do país sob o regime socialista
Uma nova produção na Mostra de São Paulo apresenta imagens antigas que mostram o cotidiano na União Soviética durante os anos 1970, revelando detalhes da vida na época que até então eram desconhecidos do público.
Durante a Mostra de Cinema de São Paulo, foi exibido um documentário que traz à tona imagens inéditas da União Soviética dos anos 1970, gerando grande interesse entre o público e especialistas em história. Segundo relatos, o filme faz parte de um material filmado por cineastas ligados ao Partido Comunista Italiano durante uma expedição que percorreu cerca de 60 locais por todo o país soviético, entre o começo da década de 1970 e o final da mesma. O objetivo deles era registrar a rotina da população, que até então tinha poucos registros visuais acessíveis ao mundo ocidental.
De acordo com o diretor do documentário, Sergei Loznitsa, que trabalhou na edição do filme intitulado "Imperium", as imagens capturam cenas de ruas de grandes metrópoles, cerimônias religiosas, rituais e o cotidiano em regiões mais remotas, muitas delas apresentando uma opulência visual inusitada. Ainda segundo o cineasta, momentos que revelam a deterioração do ideal socialista também estão presentes nas filmagens, o que, na sua avaliação, demonstra que o sonho de um grande futuro socialista se dissipava diante da realidade na época.
Loznitsa afirmou que, ao analisar o material bruto, constatou que apenas 5% dos filmes tinham som. Isso exigiu um trabalho intenso de edição para restaurar diálogos, músicas e textos de celebrações culturais. Para isso, contou com uma equipe de 75 pessoas especializadas em dublagem, que precisaram identificar línguas como uzbeque, turcomeno, tajique e outros dialetos de regiões como o Daguestão, além de uma pessoa de Budapeste para ajudar a captar o idioma iacuto, região no extremo norte da Rússia. O processo de edição, sobretudo o de som, foi considerado particularmente desafiador por Loznitsa.
Embora as imagens mostrem cenas de rituais de forte opulência e cenários rurais exóticos, as cenas urbanas exibidas parecem retratar um cotidiano bastante semelhante ao de cidades capitalistas do mesmo período. A produção reforça a narrativa de que, na prática, a União Soviética operava mais como uma sociedade de capitalismo de estado do que como um sistema socialista puro, uma afirmação feita pelo próprio diretor, que também destaca que nunca houve socialismo de fato em seu país natal, a Rússia.
O que sabemos?
- Cineastas italianos ligados ao Partido Comunista Italiano filmaram na União Soviética na década de 1970.
- O material foi editado pelo cineasta Sergei Loznitsa no documentário "Imperium".
- As filmagens abrangem cerca de 60 locais diferentes na União Soviética.
- A maior parte das cenas foi capturada sem som, apenas 5% possuíam áudio original.
- Foram necessárias horas de trabalho para editar diálogos e músicas, incluindo dublagens de diferentes línguas regionais.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



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