Filme brasileiro de ficção científica dos anos 1960 agora é revisitado com novos olhos
Obra quase esquecida parece refletir tensões atuais sobre influência estrangeira e manipulação de informação
O filme 'O Quinto Poder', dirigido em 1962, revisto à luz do cenário político contemporâneo, revela temas que parecem prever conflitos de desinformação e influência estrangeira no Brasil.
Um filme brasileiro de ficção científica produzido na década de 1960 voltou à tona, não por sua popularidade, mas por seu enredo que, ao ser revisitado hoje, parece se encaixar perfeitamente no contexto político e social atual. Segundo Alfredo Suppia, professor associado na Unicamp, a produção intitulada 'O Quinto Poder' foi feita em 1962 pela produtora Pedregal Filmes e aborda uma temática de infiltração estrangeira por meio de tecnologia de propaganda subliminar, que busca manipular a população brasileira rumo a uma revolta e ao caos. Apesar de ser considerado quase um filme invisível para o público geral, ele traz uma Miranda de elementos que, ao serem interpretados em tempos de crise de desinformação, parecem desconfortavelmente atuais.
A história gira em torno de uma potência estrangeira que planeja dominar o Brasil através de antenas clandestinas de rádio e televisão, irradiando mensagens subliminares com o objetivo de incitar violência e desestabilizar a democracia. Segundo a análise de Suppia, o filme reflete uma preocupação que, até então, parecia distante, mas que hoje é reforçada por evidências de que países estrangeiros financiam juristas, políticos e formadores de opinião para manter o Brasil em um estado de subalternidade. Ainda não há confirmação oficial de que o filme tenha inspirado ou previsto alguma ação real, mas a narrativa, que aborda manipulação midiática e infiltração de agentes externos, desperta debates além do universo cinematográfico.
O enredo do filme também inclui referências ao fenômeno da propaganda subliminar, que na década de 1950 ganhou força nos Estados Unidos, com experimentos controversos como o conduzido por James Vicary, que alegava aumentar vendas de pipoca e refrigerante projetando mensagens rápidas durante filmes. No caso de 'O Quinto Poder', essas mensagens seriam projetadas a 12 vezes por minuto, com frases como 'coma pipocas' e 'beba Coca-Cola', embora tais exemplos tenham sido objetos de questionamentos científicos e considerados por muitos como mitos. Ainda assim, o conceito de mensagens subliminares ganhou espaço na cultura popular, alimentando teorias de conspiração e preocupações sobre o controle mental através dos meios de comunicação.
Hoje, a produção serve como um pouco mais do que um filme de época: para estudiosos, ela funciona como uma lente para entender o clima de suspeita que permeava os anos de transição brasileira, momentos de tensões entre modernização, dependência externa e autoritarismo crescente. Segundo alguns especialistas, obras como essa podem ajudar a compreender como as crises do passado se refletiram na cultura e na produção audiovisual do país, muitas vezes antecipando discussões que só seriam amplamente debatidas décadas depois. Ainda não confirmado oficialmente se o filme será disponibilizado ao público de forma mais acessível, mas a sua história permanece relevante para quem busca entender as raízes de questões atuais relacionadas à desinformação e influência estrangeira no Brasil.
O que sabemos?
- Filme brasileiro de 1962 'O Quinto Poder' aborda infiltração estrangeira por propaganda subliminar.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





